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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Uma tarde no jardim

Sento-me no jardim enquanto as crias se divertem nos quadradinhos de areia delimitados para seu entretenimento. Vejo-os de lado, nesta atenção multi focada que foi concedida às mulheres. Não há joelhos esfolados, cabeças partidas, sangue a escorrer do nariz, nem galos a brotar da cabeça. Apenas roupa suja para lavar. O que faz sentido, afinal de contas para que serve o certo se não é para estar cheio. Para que serve a mãe se não é para pôr a lavar as peças imundas que vestiu imaculadas aos seus filhos pela manhã?

À volta do parque um casal alterna o tomar conta do filho pequeno. Primeiro corre um(o pai), depois o outro (a mãe). Numa espécie de estafeta, em que a dita é uma criatura de bochechas carregadas e chupa na mão.

Sinto-me cansada só de os ver correr. Passa das seis mas ainda está quente e eles ali estão, como os ratos nas gaiolas a quem os donos compram uma roda. Uma volta e outra e mais outra.

Mais à frente duas senhoras agacham-se ao som dos gritos de um moço que tem ainda barriga para perder. Pelos vistos sabe melhor o que lhes faz falta a elas. A ele falta-lhe o tempo para aplicar a si mesmo. Ou isso ou como como um alarve no momento em que passa pela porta de casa. Afinal de contas só lhe calham quarentonas gastas e tesas e ele foi para esta profissão à procura de uma moça esguia e rija como um camarão bem cozinhado.

Penso se receberia ordens do bochita. Penso que já o havia mandado à merda! Ora agacha-te tu, bucha! Queres agora que faça o que não resulta para ti!

- Mãe, o meu jêlho!

O mais pequeno escaqueirou-se no chão. Foi o tempo de ver o casal de ratos e os treinos das quarentonas para de esbardalhar no chão.

- Vamos andando, a mãe desinfeta e põe um penso da Patrulha Pata.

- E dás um beijinho?!

- Até dou dois meu amor!

 

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