Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um código de estrada em 2 rodas

O tempo de vida que gasto parada em filas secantes para chegar ao trabalho, permite-me a liberdade de observação de comportamento humano. Algo que se assemelha muito ao que se faz num safari no Quénia, mas menos bonito e muito menos glamoroso. Digamos que é o safari dos pobres. Nem é preciso ter carro que podemos ir de autocarro. Vê-se de todo o tipo de animais e bestas. Uns mais selvagens do que outros. Uns mais espertos, outros apenas chicos-espertos. E depois os que já não se dão ao trabalho…como eu.

Nesta minha investigação forçada que dura há anos podia falar das hienas que vão pela faixa da direita para se meter à frente de quem está na fila a secar há mais de 3 quartos de hora. Porque, afinal de contas, a sua vida é manifestamente mais importante que a dos outros. É gente que se alimenta de restos. Neste caso dos restos de paciência que um ser humano tem quanto está já à beira de chegar ao guiché para pagar e ir à sua vida.

Podia falar nos metidos a panteras, que fazem razias nas filas e vão metade do caminho pela berma. Mas esses já se lixam que chegue quando os GNR’s lá estão para os multar. O que me regalo quando lá está a GNR.

Mas vou falar de aves raras. De motociclistas. Tipos que por escolha própria vão para o trabalho de mota. Estas pessoas, que têm a mesma carta classe B que eu, quando montadas naquela geringonça pensam que se escreve no imediato todo um código de estrada só para elas. Criam-se faixas imaginárias entre carros, as ultrapassagens fazem-se pela direita e pela esquerda, é à escolha do freguês. Aí de quem não lhes faça a vontade.

Carros seguem a sua vida sossegados na sua faixa, ali a pensar que estão a cumprir com o código da estrada, só para depois dar com um neandertal em cima de uma mota, a gritar dentro do capacete e a esbracejar porque uma pessoa tinha que se encostar à berma para criar espaço para ele passar com aquela mota que tem a largura de um smart antigo, com aquelas duas caixas que leva de cada lado.

Gritam, esbracejam, ameaçam. E uma pessoa sem perceber o que fez. Afinal de contas o condutor do automóvel teve o desplante de usar a faixa sem se encolher para o lado que mais interessa ao motociclista, impedindo-o de passar naquela faixa imaginária que toda a gente sabe que se cria quando ele passa. É como nos episódios do meu pequeno pónei, em que quando o pónei passa larga do cu uma luz fluorescente que faz o arco íris.

Não sei se é falta de civismo, se passa apenas por terem a cabeça demasiado apertada dentro da cabeça.

Ou isso ou é como se diz com os eletrodomésticos, o material tem sempre razão. E neste caso há apenas a incapacidade de utilização cerebral. Deram-lhe o cérebro e esqueceram-se de entregar o manual de instruções.

 

2 comentários

Comentar post