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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um carro na oficina

Há três semanas desatou a apitar como uma maluca. “Alerta não-sei-o-quê no motor”.

Nós aflitos que se calha a dar-se um não-sei-o-quê ao motor ficamos sem carro e ficamos também na caca. Que isto a pé a coisa não se dá.

Uns dias depois desaparece ao alerta. Uma porra qualquer de filtro de partículas terá tido um chilique dentro do carro e quando levamos o filtro de partículas a passear passou-lhe. Um grande vadio, é o que é esse filtro.

Marcámos a revisão.

Os senhores da marca olham para os papeis e tal que era melhor mudar a correia de distribuição.

E vai de pedir orçamentos a todas as oficinas da marca (sim porque no interior é tudo mais barato que na metrópole, aqui em Lisboa uma pessoa até a bica paga mais caro, que dirá da revisão do carro!).

Vamos a Alfragide. Entregamos o carro com mil chorados porque precisamos da bicha para voltar para casa, que somos de longe, que temos o miúdo para ir buscar e coiso e tal.

Veículo de cortesia tá quieto. Se já se encolhem para a maioria dos clientes mais ainda para um par que anda de marmita colorida atrás.

A meio da tarde uma chamada.

“Tá lá, precisa de travões, discos e pastilhas também”

E nós vai de “ponha, atão se tem de ser”.

Quando o fomos buscar estava capaz de o lá deixar, tal não foi a fatura.

Valeu que lhe deram banho.

A caminho de casa digo ao marido “olha que hoje o jantar são sobras outra vez”, “aí é? Pensava que comíamos qualquer coisa pelo caminho!” diz ele. “Não, vou fazer uma quiche com as pastilhas do carro, que isto lá em casa é assim, lá porque são sobras não se desperdiça.”

E o homem que eu não posso fazer maus gastos este mês. E eu que nunca faço. Tudo o que gasto, gasto porque é uma necessidade. Necessito do meu cabelo sedoso, necessito das sobrancelhas arranjadas, às vezes necessito de uma blusa, outras tenho mesmo carência de um bolo. Tudo coisas que uma pessoa não pode dispensar.

E eu a caminho do trabalho digo-lhe “olha deixa lá, pode ser que um dia destes arranje emprego e comece a participar p’as contas!”.

E ele começa a rir-se. Que mais havemos de fazer.