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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Não há maior pacóvio...

...que o novo rico. Ou o rico alimentado a mensalidades de vida. Ou quem sabe a classe média que, entre um visa e outro, somados a ordenados mais simpáticos do que aqueles que os progenitores conseguiram angariar, vão fazendo a sua vida de ricos, sempre de favas contadas e agradecimentos a Deus Nosso Senhor, para que o pneu do BMW não rebente, afinal de contas o que sobra do visa depois das compras na GUESS mal dá para almoçar fora marisco os quatro dias que passam no Algarve.

O rico que é rico, ou o rico de berço, gasta dinheiro como se de água se tratasse, sabe que esfregar na cara dos outros o que tem e o que faz denota a profunda necessidade que lhe vejam a carteira, em detrimento do puro prazer sentido pelo simples ato.

O pacóvio profere vezes sem conta a frase que abomino "sabes que não faço por menos", subestimando o seu interlocutor ao estado mental que possuía momentos antes de uma qualquer tomada de decisão.

Por regra a pacóvio canta de galo perto dos que considera menos abonados ou, pura e simplesmente, ainda não expostos à realidade com a qual contactou.

Nesta semana agraciada com dois feriados, tive a oportunidade - no meu gozo de cada um destes belos dias - de contactar com uma espécie desta natureza. Fico sempre com a sensação de que estou em plena selva amazónica e que uma qualquer ave rara insiste em berrar ao fundo das árvores enquanto tento ler o meu livro. Como se já não bastassem as crias "ó mãe isto, ó mãe aquilo". Rezo para que uma anaconda coma a ave rara e se instale o silencio possível, mas Nosso Senhor não me atende e a garça selvagem continua.

"Fique com a boia" gritava para um senhor agachado com a filha pequena. "Digo-lhe, fique com a boia! Sabe, comprei no Brasil, já foi a Angola..." e pelo meio sei que passou por Cabo Verde. Claro que para dar a boia explicou que costuma deixar as crias com amas porque gosta de ir jantar descansada e desenrolou todos os países que entretanto visitou. Uma boia verdadeiramente poliglota, pensei. Muito me admira que não tenha levado a boia aos Himalaias, falta de oportunidade, certamente.

Atracado ao corpo um vestido de trapo mal enjorcado, o marido com ar pouco lavado e as crias corriam nuas por ali.

Uma pessoa a pensar, com tanto areal, tinha de calhar nestes grãos de areia. 

Depressa me lembrei da outra que me diz sempre com uma palmada no ombro e um piscar de olho "olha para mim, sabes como sou, não faço a coisa por menos". Claro que não. 

Nunca com menos falta de classe, nunca com menos idiotice. Ah, os pacóvios, se não fossem eles que mais escreveria eu, de que seria o mundo, um espaço tão mais monótono.

 

Fora de horas #77

A palavra "progresso" não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes.

Albert Ainstein

 

Estamos em pleno século XXI, a medicina está mais avançada que nunca, o conhecimento é mais abrangente, a comunicação permanente e a fome existe, numa escala severa, que abarca ainda demasiadas pessoas neste planeta não por falta de alimento, mas por incorreta distribuição. Meio mundo desperdiça quilos e quilos de comida, enquanto a outra metade faz fila para uma taça de arroz e meio copo de água.

Nunca o progresso esteve tão avançado, o nosso pequeno país foi considerado o 3º país mais pacifico do mundo e no espaço de 1 ano 43 crianças adotadas foram devolvidas.

Assim, como um telemóvel que afinal não tinha as funções esperadas por quem o comprou. A pessoa tinha a ideia que era um i-criança 2.0 e afinal era um modelo que desagradava.

É nesta condição que vive o ser humano, num total e profundo desrespeito pelo outro.

Que mal tão profundo pode uma criança com menos de dois anos fazer para merecer ser devolvida, como se trouxesse presa a si uma clausula com período de devolução. “Se não gostar das birras e das fraldas sujas, devolve em 14 dias sem qualquer constrangimento”.

Pergunto-me que animal cerebralmente desintegrado passa por todo um processo de adoção para depois, quando tem nos braços um ser que apenas quer ser abraçado, apenas quer amor, lhe pega não mão e o entrega ao sitio de onde o trouxe. Terá noção das marcas que deixa?

Certamente que não.

Que ideia tinham estas pessoas? Quem sabe de que se trataria de um nenuco, com que brincavam quando os amigos iam lá a casa, sendo eles ainda mais especiais que quaisquer outros pais porque se revestiam do altruísmo de quem cria quem não é do seu sangue.

Mas depois a novidade passa. As birras ficam, as camas com xixi a meio da noite, os sarampos, as varicelas, as amigdalites. O não querer a sopa e o sofá comprado a 60 meses na loja mais cara para dizer que têm um sofá de marca, lá aparece com um pedaço de cereja. Resultado das mãos sujas daquele ser que meteram em casa e que agora tanto se assemelha ao diabo.

Cansados para sair à noite. Birras. Não dorme depois da história de embalar.

Então é produto estragado. Porque não é igual as meninas e aos meninos de calções azuis e camisa branca, sapatos de fivela ou de vela. Crianças imaculadas nas fotografias de instagram das celebridades. Lá tudo parece tão mais encantado.

Então é devolver o produto danificado.

Agora mais danificado que nunca. Pela segunda rejeição.

Eu não sei o que devia acontecer a estas pessoas. Talvez que se tornassem publicas as listas com os seus nomes. Que se passassem a conhecer a escumalha que são. Porque não é preciso dizer mais sobre alguém que faz uma criança acreditar que lhe vai dar um porto seguro para depois a devolver por apenas ser uma criança.

 

Uma adivinha, querem?

Qual é coisa qual é ela que é o pior tipo de pessoa para se encontrar numa loja de desporto ao fim de semana?

...

Uma gorda em periodo pré-praia.

 

E porquê? Perguntam vocês.

Porque esta malta tem uma espécie de visão depois de comer meio leitão no sábado à noite e decide que a vida não pode continuar assim. Vai começar a fazer uma serie de coisas que nos últimos 40 anos nunca se deu ao trabalho de fazer. Vai comer apenas um pedaço de leitão no sábado a seguir e na segunda feira vai começar a fazer exercício. Sim, porque ao domingo não dá jeito e não se começam coisas a meio do santo fim de semana. Mesmo que sejam coisas para o próprio bem.

Até aqui tudo ótimo, desde que não interfira com o bem estar de terceiros até podem nunca começar.

Mas então o que me leva a escrever este pedaço de cáca (por esta altura já estamos todos cientes de que daqui só sai merda)?

Porque fui a uma conhecida loja de desporto comprar um equipamento novo em resultado de o meu estar velho e gasto e não porque tive um insite durante o fim de semana. A loja estava cheia e o gabinete de prova mais próximo estava ocupado por um miúdo que tinha levado cerca de 20 peças para experimentar e cuja mãe avaliava minuciosamente de cada vez que abria a porta.

Vi o miúdo a entrar enquanto escolhia a minha roupa e quando ouvi a mãe dizer para se vestir então e trazer o que queria levar, aproximei-me do gabinete de prova, garanti que não estava ninguém na fila e pus-me a ver as coisas em saldos enquanto esperava.

Estava para entrar e aparece-me uma alma não se de onde.

"desculpe já cá estava, estava aqui a ver os saldos enquanto esperava que terminasse."

Digo eu àquela valente desportista.

Responde:

"Pois eu já aqui estava desde que entrou!"

Perante tal observação dei volta aos calcanhares e fui para outro gabinete de prova, havia mais 2 vazios, só que tinham o inconveniente de estar noutro corredor e uma pessoa tinha que, tipo, andar até lá. E isso cança e o objetivo é começar segunda feira.

Não há pachorra!

 

 

Tipos de pessoas que conheço

Há pessoas que se enquadram em categorias. Umas são categorias boas, outras valha-me Deus.

Mas atalhando caminho para não me perder com introduções que não interessam a ninguém passo já às categorias.

 

As sabichonas e os sabichões

São aquele tipo de pessoa que sabe um pouco de tudo. Que tem sempre uma opinião mesmo que a conversa não lhes seja dirigida. Que fazem comentários depois de desligarmos uma chamada porque têm alguma coisa a acrescentar à conversa que estávamos a ter com o marido.

Este tipo de pessoa normalmente sabe tantas coisas que até sabe do que não sabe.

Já passou sempre por tudo, até por exames à próstata sendo mulher. Qualquer coisa desde que isso lhe permita ter alguma coisa a acrescentar ao que os outros estão a falar.

Quando não passou já ou não percebe a 100 % de um assunto , conhece sempre alguém que é especialista. Um amigo de anos, um familiar próximo, um ex-namorado/a.

A parte boa destas pessoas é que depois da conversa e de percebermos que disseram uma serie de barbaridades porque estavam a falar do que não sabia, nos rimos que nem uns malucos.

A parte má é quando nos calha um como colega no trabalho.

É F$%&%o!

 

Os que confirmam sempre o que é mau

Muitas vezes são também sabichões e sabichonas, que esta gente tem sempre categorias a rodo e aglomeram, os danados.

Estas pessoas são as que garantem sempre que está mal alguma coisa.

A miúda do supermercado enganou-se no troco. “Queria era enganar-me!” Como se a desgraçada que está à caixa a ganhar o ordenado mínimo fosse meter algum ao bolso. Melhor, são capazes de dizer que estão a ser enganados mesmo quando é em seu beneficio “ela a pensar que eu não estava a dar nota que me estava a dar dinheiro a mais! A mim é que não me enganam! O patrão dela já tem muito dinheiro…”

 

As preguiçosas e os preguiçosos

Estão sempre cansados. Até para o que lhes apetece. Não limpam a casa porque se vai sujar a seguir. Não fazem comer porque lhes dá muito incomodo, mesmo tendo Bimby em casa. Não vão ao ginásio porque não têm tempo. Mesmo passando os finais de dia em frente à televisão a mudar canais. Não vão ao parque com os filhos porque é enfadonho e depois os miúdos correm muito e a pessoa até se cansa.

Normalmente este tipo de pessoas dá-se a um trabalho imenso para arranjar formas de fazer menos.

Se calhar se fizessem o que têm que fazer logo, tinham menos trabalho.

 

Os que têm sempre razão

Esta espécie aparece muito no trânsito e tende a achar que as regras, as leis e toda mãe natureza se vergam às suas vontades.

É o tipo de pessoa que põe o carro à nossa frente quando tem um stop, vai ao telemóvel (por isso não viu o stop) e quando alertamos ainda grita “quê-que-FOI??!” como se os otários fossemos nós.

É o tipo de pessoa que se esbardalha na vida com frequência derivado da sua profunda estupidez mas que culpa os astros e Nosso Senhor Jesus Cristo por lhe dar tanto azar.

 

O acelerado ou a frenética

Isto é malta que tem mais voltagem que a média. É malta que anda a outra velocidade. É malta que vence pelo cansaço. É malta que vai para uma reunião e começa a falar, e continua a falar e uma pessoa vê-se à rasca para orientar uma brecha para explicar que só está a dizer merda mas nem dá nota por conta da velocidade de pensamento que não pára para pensar.

Isto é gente que dá vontade de sacudir ou de dar uma lambada porque me enervam. Só isso mesmo.

 

O otimista ou a super otimista

Isto é malta que, das duas uma, ou ainda é jovem que chegue para acreditar que a vida é um mar de rosas, ou então teve a vida no cócó e depois de uma crise de idade se inscreveu no ginásio ou contratou um PT. Começou a beber batidos de relva com nomes esquisitos e a fazer treinos de alta intensidade.

Esta malta agora arranja-se bastante, parece ter menos idade do que quando tinham 25, participam em provas, quando põem fotos nas redes sociais estão sempre a treinar ou a desafiar a vida e usam em excesso a palavra TOP. Tudo é TOP.

É o pior tipo de pessoa para encontrar quando se está com os nervos ou a ter um dia de merda (normalmente acontece no mesmo momento).

 

O que fala mal

Há malta que faz do mal dizer profissão. Tudo se critica, o tempo, os colegas de trabalho, as pessoas que se conhecem e que se conheceram, as roupas, o que os outros dizem, o que os outros fazem. Se mudam de casa ou se ficam na mesma.

Depois só falam mal dos que não fazem parte do seu circulo de amigos, circulo esse que têm por ser de pessoas que têm as mesmas maleitas emocionais que elas.

Abusam da expressão “aí eu sei que estou sempre a falar mal, mas tenho que contar” e da “não gosto nada de gente que está sempre mal com a vida dos outros”.

Se se escutassem 10 minutos piravam-se para fora do corpo.

 

O normal

Está em vias de extinção. Diz que quando existia era boa pessoa. Mas entretanto, derivado da quantidade de abecolas à solta pelo planeta extinguiu-se por opção.

 

E é isto por hoje.

 

Alguém conhece malta assim ou só eu que tenho azar?

 

Fora de horas #4

Olhamos à nossa volta e perguntamo-nos o que se passa com o mundo. Que raio se passa na cabeça das pessoas que correm para todo o lado, que empurram nos corredores, que passam à frente nos elevadores. Depois, sempre que se encontra a oportunidade fazemos o mesmo. Ou fazemos pior.

Não sou nenhuma santa. Longe disso. Mas ainda à coisas para as quais sou da velha guarda.

Seguro a porta a quem vem. Digo bom dia quando entro na casa de banho publica, no elevador, no café. Digo obrigada quando me seguram a porta. Não passo à frente em filas e dou a minha vez aos velhotes, grávidas e às pessoas com deficiência física sem que precisem de me pedir.

Fui pagar o parque de estacionamento.

Para trazer carro para o trabalho tenho de ter parque.

Chego à fila e tenho duas pessoas à frente, uma a pagar outra à espera.

Fico contente, normalmente a fila é bem maior.

Aparece uma mulher ao pé do tipo que está à minha frente e fingindo-se meio escondida passa-lhe o dinheiro para ele pagar.

Assim fiquei com mais uma pessoa à frente.

Pensei em barafustar mas depois achei que já deve ser chato que chegue para aquela pessoa ter de conviver consigo.

A seguir lembrei-me que o karma é lixado e que nos apanha sempre.

Decidi continuar a ver fotos no meu Instagram.

Ela saiu com outra pessoa a rir como tinham passado à frente de duas idiotas. Eu e a senhora atrás de mim.