Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #66

Como se já não bastasse uma pessoa às vezes sentir-se como adubo de plantas do mais baixo calibre, afinal de contas está longe de atingir o ideal de mãe que queria ser. Quer dizer, qual ideal? Há dias em que mal é possível ser mãe. Temos de ser empregadas de limpeza, senhoras de passar a ferro, cozinheiras, motoristas, ginastas (as que podem) e funcionárias de uma qualquer empresa que não reconhece o valor.

Como se já não passasse o dia numa bisga que nem o vemos. Só nos deitamos com este sentimento de que somos cócó maternalmente incompetente, ainda há rubricas com truques e dicas para super-mães.

Upa-Upa!

Tenho de ver este num dia que esteja a correr bem, assim volto logo ao clima de merda interior a que estou habituada.

 

super-mães.png

 

 

 

Maria Espreita

Quem é a Maria Espreita perguntam vocês?

Pois que a Maria Espreita é uma pessoa com a qual me vejo obrigada a laborar de há vários anos a esta parte. Não a tenho próxima todo o dia porque graças a Deus nosso Senhor ou ao arquiteto que desenhou os escritórios, cada uma tem o seu cubículo de trabalho o que me deixa estar sem lhe ouvir a respiração, os passos ou a voz (que deixa os meus neurónios em stress pós traumático quando sujeitos ao seu som por muito tempo).

De sua graça verdadeira outra coisa que não Maria e de seu apelido outro mais comum e menos cómico que Espreita, assim foi batizada por esta que vos escreve em resultado do seu habito de aparecer de surpresa em cubículos alheios.

Maria Espreita é chata e não tem vida própria. Ou se tem parece ser manifestamente entediante, de tal forma que esta relíquia de ser humano anda sempre a ver se apanha os outros de surpresa, na internet, em chamadas pessoas, só assim para ver se consegue beber um pedaço mais do sumo da vida alheia, tão mais gostosa que a sua.

Tenho ganas de a mandar à merda. De lhe dizer que fosse antes apanhar onde o sol não brilha em vez de ali estar a assustar uma pessoa com o seu “precisava de ver este relatório contigo” quando já está há mais de dois minutos atrás de mim a ver-me na internet.

Venho aqui a esta tabanca ao longo do dia. “Fora de horas” lá está. Tento que estejam as escrituras programadas mas por vezes tenho informação a querer-se vomitar do organismo para fora, de maneira que tenho de a partilhar para que me pese menos nos interiores.

Por pouco não me apanhou a escrever aqui, a mim, que prego pelo meu anonimato, que quero mais é poder escrever sem lambisgoias a gritar aos sete ventos que para aqui ando às um-quarto-para-as-nove.

Sinto um ímpeto profundo de lhe dizer “minha querida, com toda a educação que senhora minha mãe me deu, ide com a da mãe às costas, sim!? Não há pachorra que se invente e reinvente para levar contigo a torto e a direito!”

E é isto todos os dias. E é isto em momentos inesperados.

“Vou lá abaixo comer, queres alguma coisa?!”

Quero, quero que o faças sem espreitar aqui porque tenho aqui duas perninhas e consigo ir caçar o meu próprio alimento ao café sempre que a fome me aparecer. Tá bom!? Agora ide para o raio que te parta e não tragas esse focinho feio para aqui outra vez.

Em vez disso agradeço e fico corroída por dentro. Com a promessa que se um dia me sai um premio antes de me pôr a andar daqui p’a fora lá passo pelo cubículo dela, assim de surpresa e lhe digo “P’ó caralho, sim!?”

 

Tipos de pessoas que conheço

Há pessoas que se enquadram em categorias. Umas são categorias boas, outras valha-me Deus.

Mas atalhando caminho para não me perder com introduções que não interessam a ninguém passo já às categorias.

 

As sabichonas e os sabichões

São aquele tipo de pessoa que sabe um pouco de tudo. Que tem sempre uma opinião mesmo que a conversa não lhes seja dirigida. Que fazem comentários depois de desligarmos uma chamada porque têm alguma coisa a acrescentar à conversa que estávamos a ter com o marido.

Este tipo de pessoa normalmente sabe tantas coisas que até sabe do que não sabe.

Já passou sempre por tudo, até por exames à próstata sendo mulher. Qualquer coisa desde que isso lhe permita ter alguma coisa a acrescentar ao que os outros estão a falar.

Quando não passou já ou não percebe a 100 % de um assunto , conhece sempre alguém que é especialista. Um amigo de anos, um familiar próximo, um ex-namorado/a.

A parte boa destas pessoas é que depois da conversa e de percebermos que disseram uma serie de barbaridades porque estavam a falar do que não sabia, nos rimos que nem uns malucos.

A parte má é quando nos calha um como colega no trabalho.

É F$%&%o!

 

Os que confirmam sempre o que é mau

Muitas vezes são também sabichões e sabichonas, que esta gente tem sempre categorias a rodo e aglomeram, os danados.

Estas pessoas são as que garantem sempre que está mal alguma coisa.

A miúda do supermercado enganou-se no troco. “Queria era enganar-me!” Como se a desgraçada que está à caixa a ganhar o ordenado mínimo fosse meter algum ao bolso. Melhor, são capazes de dizer que estão a ser enganados mesmo quando é em seu beneficio “ela a pensar que eu não estava a dar nota que me estava a dar dinheiro a mais! A mim é que não me enganam! O patrão dela já tem muito dinheiro…”

 

As preguiçosas e os preguiçosos

Estão sempre cansados. Até para o que lhes apetece. Não limpam a casa porque se vai sujar a seguir. Não fazem comer porque lhes dá muito incomodo, mesmo tendo Bimby em casa. Não vão ao ginásio porque não têm tempo. Mesmo passando os finais de dia em frente à televisão a mudar canais. Não vão ao parque com os filhos porque é enfadonho e depois os miúdos correm muito e a pessoa até se cansa.

Normalmente este tipo de pessoas dá-se a um trabalho imenso para arranjar formas de fazer menos.

Se calhar se fizessem o que têm que fazer logo, tinham menos trabalho.

 

Os que têm sempre razão

Esta espécie aparece muito no trânsito e tende a achar que as regras, as leis e toda mãe natureza se vergam às suas vontades.

É o tipo de pessoa que põe o carro à nossa frente quando tem um stop, vai ao telemóvel (por isso não viu o stop) e quando alertamos ainda grita “quê-que-FOI??!” como se os otários fossemos nós.

É o tipo de pessoa que se esbardalha na vida com frequência derivado da sua profunda estupidez mas que culpa os astros e Nosso Senhor Jesus Cristo por lhe dar tanto azar.

 

O acelerado ou a frenética

Isto é malta que tem mais voltagem que a média. É malta que anda a outra velocidade. É malta que vence pelo cansaço. É malta que vai para uma reunião e começa a falar, e continua a falar e uma pessoa vê-se à rasca para orientar uma brecha para explicar que só está a dizer merda mas nem dá nota por conta da velocidade de pensamento que não pára para pensar.

Isto é gente que dá vontade de sacudir ou de dar uma lambada porque me enervam. Só isso mesmo.

 

O otimista ou a super otimista

Isto é malta que, das duas uma, ou ainda é jovem que chegue para acreditar que a vida é um mar de rosas, ou então teve a vida no cócó e depois de uma crise de idade se inscreveu no ginásio ou contratou um PT. Começou a beber batidos de relva com nomes esquisitos e a fazer treinos de alta intensidade.

Esta malta agora arranja-se bastante, parece ter menos idade do que quando tinham 25, participam em provas, quando põem fotos nas redes sociais estão sempre a treinar ou a desafiar a vida e usam em excesso a palavra TOP. Tudo é TOP.

É o pior tipo de pessoa para encontrar quando se está com os nervos ou a ter um dia de merda (normalmente acontece no mesmo momento).

 

O que fala mal

Há malta que faz do mal dizer profissão. Tudo se critica, o tempo, os colegas de trabalho, as pessoas que se conhecem e que se conheceram, as roupas, o que os outros dizem, o que os outros fazem. Se mudam de casa ou se ficam na mesma.

Depois só falam mal dos que não fazem parte do seu circulo de amigos, circulo esse que têm por ser de pessoas que têm as mesmas maleitas emocionais que elas.

Abusam da expressão “aí eu sei que estou sempre a falar mal, mas tenho que contar” e da “não gosto nada de gente que está sempre mal com a vida dos outros”.

Se se escutassem 10 minutos piravam-se para fora do corpo.

 

O normal

Está em vias de extinção. Diz que quando existia era boa pessoa. Mas entretanto, derivado da quantidade de abecolas à solta pelo planeta extinguiu-se por opção.

 

E é isto por hoje.

 

Alguém conhece malta assim ou só eu que tenho azar?

 

Fora de horas #46

Neste dia onde uma parte gigante do país está de férias por causas da Páscoa e do feriado na 6ª e porque os putos não têm escola e não há onde os deixar tenho a dizer o seguinte:

 

Só me apetece mandar a merda as coisas de profunda responsabilidade que tenho para fazer para a puta senhora imaculada que as pariu trouxe ao mundo e ir pôr os cornos a minha bela face ao sol e apanhar vitamina d.

Sentar-me a comer caracóis e a beber uma jola.

Em vez disso estou fechada em quatro paredes a bufar e em ansiedades profundas pelas 18 da tarde e porque tenho mais bosta coisas maravilhosas para fazer do que tempo e mãos para dar conta delas.

 

#sómeapetecedizerfoda-se

Fora de horas #19

Andam a ligar-nos do BPI para fazer um inquérito de satisfação. Nós a adiar o contacto porque para além da manifesta falta de tempo não temos grande pachorra considerando o péssimo atendimento que tivemos das ultimas vezes que fomos ao balcão.

É que quando é para vender produtos e ganhar alguma coisa com isso, toda a gente se derrete em simpatias. Mas quando é para resolver um problema do produto vendido é o cliente que nunca entende.

Por isso tive uma ideia. Deixar que o meu filho responda ao questionário. Aprendeu recentemente a palavra certa para qualquer questão.

Senhora do banco - Boa tarde, tem alguns minutos para responder a um inquérito de satisfação sobre o balcão tal?

Marido - Sim, sim, claro!

(passa o telefone ao filho)

Senhora do banco - O que acha da qualidade do atendimento no balcão tal?

Filho - Cócó.

Senhora do banco - E como acha da resolução dada ao seu problema?

Filho - Cócó.

Senhora do banco - Peço-lhe então que me indique qual a avaliação global que faz ao balcão tal.

Filho - Cócó.

 

Não fosse eu ter demasiado respeito pelo trabalho dos outros. Não fosse este meu sentido de bom senso e de que nem todos têm de pagar pelos mais colegas que têm e eu contava-lhes como era.