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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #76

Gostava tanto de escrever à velocidade do meu pensamento. Parece sempre que estou a correr atrás das ideias, como se elas passassem à velocidade da luz e os meus dedos fossem de uma preguiça.

Irrito-me, porque tinha acabado de me ocorrer alguma coisa espetacular (na minha ideia pelo menos) e depois quando vou escrever fugiu e já não sai da mesma forma.

Deviam inventar uma máquina que escrevesse as nossas ideias à velocidade que elas acontecem.

Depois escrevíamos com as mãos por desporto.

 

Fora de horas #59

Bom chegou o dia em que tenho de fazer um "Fora de Horas" sobre um "Fora de Horas".

Mas antes apenas uma nota:

Preferia não ter de o fazer mas penso que se calhar é melhor pôr aqui ordem na casa antes que se ponham para aqui à batatada no meu estabelecimento e isto como não é a taberna do Manel por isso agradeço que não se agarrem ao balcão a pedir mais imperiais.

 

Dito isto vou voltar ao tema de ontem mencionado neste post e que está a deixar o país todo engalfinhado entre os extremistas dos direitos dos animais e os anti raças ou lá o que é.

 

Parece-me que aqui o problema se resume à semântica. A malta ultra defensora dos animais fica passada com o termo perigosos ou potencialmente perigosos. Isso mais as listas. A malta que é anti raças agora quer que sejam abolidas determinadas raças do planeta senão mesmo no Universo.

 

Minha gente, vamos lá a ver uma coisa.

 

Para os ultra defensores:

Meus queridos, por mais que amemos os animais todos temos de estar conscientes que as características de cada um têm impacto direto nos danos que podem causar. A mordidela de um Pit Bull não causa o mesmo dano que a mordidela de um Pincher. Ponto. Não há argumento contra este facto.

Por este motivo estes cães podem tornar-se mais perigosos porque se forem mal geridos e mal ensinados podem causar danos significativos. Como é óbvio não têm culpa dos donos que lhes causam. Mas também não têm de certeza culpa as pessoas que são mordidas. Certo?

Posto isto, sim, existe um problema estrutural no nosso país. Mas não é só este, já ouviram falar em bancos ultimamente?!

O problema é geral!

 

Para os anti-raças:

Há raças com características mais danosas (chamemos-lhe assim) que outras mas a responsabilidade do dano causado é essencialmente de quem (não) educa e (não) cuida. Há mordidelas registadas com todas as raças, incluindo rafeiros.

Aqui importa que seja colocado o enfoque na falta de responsabilidade dos donos.

 

Podia estar aqui até Agosto a escrever sem parar e ainda havia pano para mangas. Mas não tenho vida para isso, por isso é resumir o tema.

 

Assim, e depois de me dirigir a ambas as frentes, saiam-me do alpendre se faz favor.

 

A gerência agradece.

 

Fora de horas #49

Quando a procura é maior que a oferta começa a despontar um je ne sais quoi de desplicência no tratamento do cliente.

Fiz um e-mail com um pedido de informações para marcar uma consulta no consultório de um médico conceituado. Das quatro questões que coloquei, para o e-mail disponibilizado no site da clínica onde referem expressamente "para quaisquer dúvidas respeitantes a consultas xxxxx@xxxx".

Ao e-mail recebo uma resposta pró-forma que me diz que para saber horários disponíveis é melhor ligar. A morada da clínica (coisa que não necessito porque felizmente sei usar a internet para saber a localização) e um valente enfoque no preço, que efetivamente solicitei.

Termina o e-mail com um seco "não temos acordos com seguradoras", para deixar logo claro ao pedinte que procura marcar consulta que ali, ou entra pasta a valer ou é melhor ir pregar para outra freguesia.

Quando eu era miúda não me atrevia a comprar nada sem perguntar quanto custava antes. Não importa o dinheiro que custava, primeiro sabia-se o preço. Era educação base. Hoje perguntar quanto custa é sinonimo de pelintra, só um teso é que pergunta quanto é. O resto das pessoas ou tem ou paga com visa, agora perguntar quanto custa é que nem pensar.

Pergunto-me se o meu e-mail assinasse como Catarina Furtado, como Júlia Pinheiro, como Fátima Lopes, se recebia a mesma resposta pro-forma.

É o resultado da industrialização da medicina, da saúde. Retira o trato relacional, transforma a pessoa num numero matemático certo onde a mesma formula funciona sempre. Como confiar depois que vamos ser bem atendidos quando para o mero pedido de esclarecimentos não há tempo para quem vai pagar?

Desisti de marcar consulta. Tenho a ideia que vou chegar lá e ser despachada ou encaixada numa forma idêntica a tantas outras. tratada com o pro-forma e se não correr bem não faz mal, que depois há sempre uma Rita Pereira, uma Tânia Ribas de Oliveira, uma Fátima Serrano para contratar, pagar a peso de outro e consultar a preço zero. Para levar ao programa da manhã, depois ao da tarde e angariar uma porrada de novos pacientes que, certos de um atendimento igual ao das estrelas, lá entregam 3 dígitos sem levantar questões.

 

Fora de horas #45

Está sempre à espreita. Pode estar a qualquer esquina, esquivamo-nos, rimo-nos dela, pensamos que vem mais tarde. A visita que adiamos todos os dias e que pedimos aos santos para que venha mesmo no fim da linha. Quando não há mais nada para ver, para viver. Quando as articulações já só rangerem, quando os filhos estão criados, quando já só vemos os netos de quando em vez porque querem é estar com os amigos. Quando os que nos acompanharam e preencheram os momentos já a receberam e partiram, para um qualquer sitio melhor, ou para sitio nenhum, desfazendo-se em fragmentos de nada. Afinal de contas pouco somos mais do que isso quando os dias perdem a luz daquilo a que chamamos vida.

Temo-a. Rogo-lhe que chegue tarde e sem incomodar ninguém. Que nos encontremos as duas num final de dia bom daqui por uma centena de anos, eu grisalha, um rosto longe da juventude que hoje conhece. Eu velha e de cajado, o terceiro apoio para as pernas que insistem em resistir. E satisfeita de uma vida preenchida. Eu sentada num relembrar de toda a vida boa que passei. Eu a desconsiderar os problemas que hoje parecem engolir-me. Eu a fazer a compilação da minha vida à frente dos meus olhos. O filho a crescer, eu a chorar no seu casamento, no fim de curso, em todas as pequenas e irrisórias vitórias. Irrisórias para os outros. Maiores que bolas de ouro para mim.

Eu satisfeita digo-lhe “então vieste?! Senta-te, bebe um chá, as bolachas são de ontem mas ainda estão boas, mas para ti só o pior que tiver para oferecer. “

E parto, velha e ressequida como uma passa, com o corpo gasto por toda a vida esbanjada com ele.

Custa-me a morte dos novos. Corroí-me. Assombra-me. Assusta-me. Amedronta-me. Porque morrem os novos? Porque partem com tanto por viver.

Hoje acordei de manhã para saber da morte da Ex-ministra da defesa espanhola. Pouco me importa o que viam que tinha sido. Importa-me que era uma mulher nova, com 46 anos. Importa-me que era mãe de uma criança, aquela que trazia no ventre no dia em que tomou posse do cargo. Importa-me que a vida lhe tenha sido curta. Importa-me que não veja a criança que trouxe ao mundo crescer. Importa-me que a vida tenha acabado a meio caminho.

Importa-me que não tenha chegado a velha, seca como uma passa, com uma chávena de chá na mão a receber uma visita. Bolachas com cheiro a ranço para a maldita, para ela sempre o pior.

 

Fora de horas #38

Resultado do pneu furado: 240 € para 2 pneus novos da frente.

Pelos vistos estavam carecas.

Agora quem está careca é a minha carteira.

Começo seriamente a pensar em começar as semanas à terça porque isto à segunda não está a funcionar. Na semana passada iniciei na segunda-feira a senda de injeções de penicilina na peida nas nádegas. Esta semana a chegar ao trabalho começa a carrinha a ganir que nem uma histérica que tinha um sapato aleijado.

Agora anda mais bem calçada que eu.

 

Rai’s ma partam!

 

Fora de horas #36

Um fora de horas com um conjunto de coisas que na verdade não interessam p'a nada, só mesmo porque estou bem disposta e são quase, quase 18 da tarde.

A saber...

Normalmente trato das lides femininas à hora de almoço.

Normalmente p'aí de 3 em 3 semanas apareço na cantina da empresa a parecer que fui atacada na zona superior do-z-olhes e que alguém me roubou o bigode nortenho à lambada.

Isto porque depois de muita esteticista e muito desgosto passei a ir às senhoras da linha, que lambuzam aquele pedaço de algodão enquanto me arrancam as pilosidades da face.

Hoje não dava à hora de almoço. Vou às 18:30. Que amanhã, como vai 'tar dia solarengo e tudo e tudo é dia de fazer coisas especiais. Preferencialmente sem parecer o chewbacca.

É que passo disto...

 chew.png

 

Para isto...

camila.jpg

 

E o que é que isto interessa? P'a nada, mas apeteceu-me. É coisa de sexta à tarde, ou então é excesso de vitamina d, que o lombo já não via há uma porrada de tempo.

Ou isso ou efeito retardado da penicilina.

Não sei se já disse, mas esta semana levei duas...injeções em cada nalga glúteo e anda me dói esta porra.

 

Fora de horas #34

Fui levar a segunda injeção de penicilina.

Pensava que era um processo rápido. Que chegava, entregava a credencial passada pela médica, que 5 minutos depois a enfermeira me chamava, eu baixava as calças, levava a maldita e seguia à minha vida. Na segunda feira já tinha levado uma e como não me deu nenhum pilipaque, estava descansada quanto a alergias.

Em vez de ser logo chamada espero 40 minutos para me chamarem.

Eu entretida pela internet no telemóvel mas a ver que não chamavam mais nenhuma senha de enfermaria, por isso sem perceber porque raio nunca mais me chamavam.

Decidi não reclamar. Uma coisa é quando o médico nos vai olhar para a garganta, outra completamente diferente é quando sabemos que a pessoa que nos vai atender nos vai lixar o lombo com uma agulha de 5 cm de comprimento e uma espessura inaceitável. A reclamação pode sempre fazer com que a enfermeira ache que fazer das nalgas de uma pessoa um jogo de dardos é uma boa ideia.

Então esperei caladinha e sempre sorridente.

Sou chamada e aparece uma senhora já na casa dos 60. Mais uma que todos os dias vê o dia da reforma adiado.

Entro e lá está a enfermeira toda simpática.

Dá-me a injeção. Pergunta-me se doeu e eu que nem por isso e lá volta a aparecer a outra senhora.

“olhe correu tão bem que nem se vê onde levou a injeção”

Depois olhou melhor.

“Ah mas está aqui…”

E vai de pôr um penso enorme.

 

Entretanto chego a casa e vou à casa de banho. Aproveito para ir ver o aspeto da coisa visto que fiquei com ambas as nádegas traumatizadas. É aí que dou conta que tenho a roupa interior com sangue.

Então o que aconteceu?

Como a senhora não via o local onde levei a injeção, e como tenho um sinal perto a senhora colocou o penso (gigante) completamente ao lado, protegendo o meu sinal e deixando o sitio onde levei a injeção a descoberto.

 

E eu depois tenho de pensar que realmente há coisas que só me acontecem a mim.