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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Sem tempo

Já não conto as horas pelo tempo que marca o relógio. Registo-as pelo atraso dos meus dias, pelas tarefas pessoais e profissionais que tenho por fazer. Nenhuma tarefa dentro do agendamento, todas as linhas a vermelho. Não sigo uma linha de raciocínio, não há raciocínio, há um misto de reações ansiosas onde me lembro do que já devia ter feito e ainda não fiz.

Há um cansaço que me assalta porque quando nada estou a fazer penso no que está em atraso, no que ainda falta, no que me espera e penso que não consigo. Que não aguento mais. Que mando tudo ao ar. Que pego no miúdo e no marido, que íamos para uma ilha numa cabana barata. Que bebíamos leite de coco e eu fazia pulseiras à beira mar.

Talvez um negócio de vídeos de fitness na internet.

Mas antes tinha de chegar ao fitness para depois alguém acreditar nos vídeos.

Escrever um livro em inglês, ser publicado nas américas onde qualquer um que tenha a sorte de cair em graça vende um milhão, ou meio que seja, e deixa de ter os dias iguais. Passa a competir consigo mesmo e gere a tarefa de ter uma ideia em vez das mil e uma que regem o meu dia.

Penso e repenso nas horas que tenho para fazer o que caberia em 48 horas quando o dia foi agraciado com apenas 24.

Sem tempo.

É assim que me sinto, a ver o tempo passar depressa porque já o tenho gasto sem sequer lá chegar, sempre ansiosa pelos minutos que estão para vir porque com eles chegam as tarefas que me sugam o ar dos pulmões. Não sei porquê, um sentido de responsabilidade excessiva, uma falta de confiança, uma vontade ine2quivoca de que a vida fosse diferente. Que passasse os dias como a loira dos vídeos de ginástica, entre risinhos histéricos e forçados, calças de licra de cintura baixa e exercícios para as senhoras em casa se sentirem mais sensuais nos seus dias iguais em que vão para o escritório, em que acabam as tardes a comer um bolo cheio de creme porque os nervos lhes consomem a confiança que lhes foi depositada pela moça de cabelos loiros e esvoaçantes numa qualquer praia americana.

Estou sem tempo.

Estou sem paciência.

Com a dificuldade de me acreditar capaz.

 

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