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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Retratos da vida alheia #4

O areal estava de tal maneira preenchido que se me arrepiou toda a pele. Um quadrado dispensado a meio metro dos caixotes de lixo. Teve de ser. Ao lado estendia-se uma moça que transbordava da toalha. Um biquíni cujo pano se afundava na formosura de sua proprietária. Uma criança passa e deita-lhe areia para cima. A mãe atrapalhada pede desculpa, afinal de contas a criança não percebe que o areal não é o quintal lá de casa. A mocinha larga aceita a desculpa e diz que não faz mal. Vejo-a mais magra ao som daquela simpatia. Tudo para ter vontade de a enterrar até ao pescoço bem perto da água 5 minutos depois. Mais ou menos o tempo que demorei a perceber de onde vinha o fumo a tabaco que me inundava as narinas.

Ao fundo um gordo reclamava com o homem das cabanas. Não sei ao certo do que se teria tratado, mas pelos vistos o outro achava-se mesmo esperto. Continuou um tal alvoroço que enquanto existiu gordo na praia não se ouvia outra voz. Passeava-se de lado para lado, com a sua barriga imensa, a sua voz grossa irritante e a não menos estonteante sunga azul escura.

Não há nada que me incomode mais na praia que homens de sunga. Detesto. Pior ainda quando o é um tipo para lá de anafado com a barriga farta a recair sobre a pobre pedaço de pano.

Pouco depois foi-se embora. Como o relâmpago que incomoda mas depois limpa.

Já a mocinha larga lá se manteve mais tempo, o suficiente para mais 2 ou 3 cigarros. A mãe do miúdo incomodada com o fumo em cima do puto, mas que havia de reclamar depois da cria ter mandado 3 grãos de areia que se perderam no lombo da moça que se desfez em simpatias?

 

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