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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Porventura mais que uma folha

- …olhe para a folha, mas não basta ver se é verde. De que verde é? É escuro? É claro? É homogéneo? Veja os veios. Concentre-se na folha.

 

E eu paro a meio da Avenida da Liberdade com as palpitações a saltar. Encho a barriga como um balão e expiro até que o estômago se cole às costas. Paro de frente para a árvore e procuro-lhe a forma de acalmar a minha agitação.

De que cor são as tuas folhas?

Verdes. Sei. Mas que verde.

E olho-a. Encontro a folha. Concentro-me nela como como se todo o Universo movesse mais devagar.

Tens de parar. Tens de a contemplar.

E contemplo. A respiração acalma, os batimentos do peito ficam mais suaves e a confusão dissipasse. Como uma nuvem que se limpa do céu.

Respira. Contempla. Tenta.

A folha é viçosa. É verde escura como manda a primavera. Cheia de vida. Preenche o tronco de uma árvore que se sabe naquela chão há décadas. É bela. E agora faz parte de mim.

Ponho-a no bolso. Fica guardada só para mim.

 

Desço a Avenida da Liberdade. Agora já vejo quem passa. Vejo-me a mim. Vejo as montras. Vejo o meu redor sem névoa, sem confusão.

 

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