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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Pero que vás pá tu kasa ya!

Mais de 1000 estudantes portugueses foram expulsos de um hotel em Espanha por desacatos e foram mandados para casinha de suas mamãs e seus papás porque nuestros hermanos não estão para aturar palhacitos portugueses.

Ontem de manhã, cedo demais para qualquer ser humano, sou obrigada a acompanhar o meu iogurte com um dos jovens entrevistados que se manifestava indignado porque tinha pago uma caução e era “normal partirem alguma coisa”.

 

Ora eu tenho vários problemas com este tema, o primeiro prende-se com o facto de não gostar de espanhóis, nem um bo-ca-di-nho e ver-me agora na circunstância de ter de lhes dar razão. O segundo é que esta malta é suposto ser o futuro deste país e começo a ter cada vez mais certeza que o nosso futuro vai a estar na merda.

Eu juro que há dias em que dou graças a Deus nosso senhor por não ser jornalista, é que calho a ser eu a falar com aquela abécula e espetava-lhe com tanta lambada naquele focinho que era coisa para ele ou ficar todo amassado ou começar a fazer uma coisa que nunca antes fez, pensar.

Pois que para esta gente pagar uma caução é ter como garantido que vão escavacar o espaço. Esta bicheza não paga a caução com a ideia do seu pressuposto, que é se alguma coisa calha a correr mal…

Nada disso, “um gaijo paga à cabeça q’ué pa depois arrebentar forte e feio com isto, e gritar e buber e coise!”

Em resumo, para depois ser profundamente estúpido!

Quando eu era moça – frase que me incomoda porque demonstra que vou pa velha – havia estupidez também, não se iludam. Fiz a minha parte. Mas uma pessoa fazia coisas estúpidas porque achava que não eram. O conceito era divertimento e depois havia sempre um que bebia mais um copo e fazia merda, mas no dia seguinte pedia desculpa e tinha vergonha das figuras que tinha feito.

É claro que o “figurinhas” depois contava a história no café e todos nos ria-mos e tal, mas no momento das asneira ficava com cara de bosta, desculpava-se e pagava o que havia estrambelhado.

Esta malta hoje tem o conceito desvirtuado. Eles não vão para se divertir e depois em calhando algum faz merda. Não. Eles vão já a contar em fazer só merda e por isso acham um ultraje que alguém os ponha pa fora quando estão a escavacar o espaço e a impedir que as restantes pessoas que também pagaram para estar num determinado sitio façam o que queriam ir para lá fazer. Tipo descansar ou divertir-se efetivamente.

É orientar campos de férias para esta gente em zonas de demolição, assim sempre podem arrebentar com tudo e nem é necessário o caução. Calha a pedirem com jeitinho e ainda os deixam lamber os martelos e as bolas de demolição lá com’a outra moça no videoclip.

Eu compreendo que ser jovem é ser parvo às vezes, mas não ter sentido de vergonha para a merda que se está a fazer e ainda vir à televisão numa de “um gaijo estava só a fazer aquilo para que pagou, qu’é uma pulseira com tudo incluído pa’um gajo buber à vontade e arrebentar com o hotel e coise e vêm os caralhos dos espanhóis e dizem q’um gaijo não pode partir cenas, dasse, atão mas eu não vim p’a me divertir!?”

E uma pulseira de livre lambamento das fuças?! Hummm Isso é qu’era!

 

Contudo atente-se que esta gincana não termina aqui, com mobiliário em piscinas, paredes riscadas, distúrbios variados. Não senhores.

Pois que os jovens de futuro promissor derivado da sua magnifica inteligência chegam, sentam-se no colinho de seus papás e de suas mamãs e as alminhas que os trouxeram ao mundo decidem juntar-se em associações e rebeliões e ajuntamentos de pais indignados, amaldiçoar e pretender processar o espaço devastado por seus queridos mais que tudo porque afinal de contas estavam só a divertir-se.

Ou seja, em vez de fazerem o seu papel de pais, convenientemente demonstrando o quão errado está o comportamento dos animaizinhos não racionais que trouxeram ao mundo, fazem exatamente o contrario, validando o comportamento das bestinhas dos meninos e meninas como normal porque se é feito por estas criaturas divinas então tem de estar bem feito.

São os mesmos pais que daqui a uns anos se vão indignar porque não se arranja para os filhos um emprego na sua área de formação, ainda que formação tenha sido a ultima coisa que adquiriram no espaço a que chamam de universidade porque a única coisa que de lá trazem são copos, estupidez e exames feitos à base de cabulas com origem nos apontamentos de terceiros. Os tais que depois conseguem os empregos porque aprenderam alguma coisa.

Manifestam-se os coitados, porque a culpa é do mundo que lhes devia arranjar o emprego em vez de serem eles a mexer o lombo a fazer alguma coisa por eles abaixo uma vez na puta da vida.

Mas para isso estão lá os papás e as mamãs, para os sustentar muito depois dos 30 anos porque “coitadinho do meu Rafael Maria que não há meio de conseguir um emprego na área, antes em casa do que andar p’aí a atender telefones ou a servir cafés, não me fartei de trabalhar para o meu filho ser escravo”. Esquecem-se que trabalhar é aprender a vida pelo que ela é.

Em vez disso subtraem-se as adversidades, relativizam-se os maus comportamentos.

Espantamo-nos todos os anos quando há histórias mal contadas nas praxes, muitas que ninguém sonha porque a vergonha cala. A vergonha do que é vitima, é claro.

E assim seguem pais e filhos contentes, inabaláveis na sua condição de invencíveis do universo onde a todos os outros cabem os deveres e os erros. A si apenas os direitos e o trabalho bem feito. Mesmo que de merda em barda se trate.

 

Termino com uma sugestão para um parque de diversões adaptado para esta gente. Uns bons hectares de terreno no Alentejo profundo, umas dezenas de chaparros, cada um com um pneu Continental Mabor lá pendurado. É dar uma pulseira aos meninos e deixa-los divertir-se à grande. Diz que os primos gostam bastante.

 

(todas as palavras escritas em espanhol ou coisa que pretenda demonstrar que quero falar em espanhol estão escritas como as vejo na minha mente e estou-me defecando para qualquer tipo de correção...só para esclarecer...já me custa que chegue ter que lhes dar razão, ainda ver-me na circunstância de me preocupar em como escrevem. acrescento ainda que todas as frases apresentadas sobre estas criaturas divinas foram escritas por uma figura sem personalidade jurídica que se apossou do corpo da autora.)

 

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