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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

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O imperativo da felicidade

Nunca antes se ouviu falar tanto em felicidade. Ser feliz é hoje uma obrigação. É um direito. É uma escolha.

A que gosto mais é da ultima. É uma escolha, dizem. Sou feliz porque escolho ser feliz.

Tenho um cancro mas tenho de ser feliz porque é uma escolha.

Perdi uma filha mas sou feliz porque há vida para além dos filhos e eu escolho ser feliz.

Perdi o emprego, a casa, vivo com os meus pais e nem um rebuçado posso comprar para os meus filhos, mas sou feliz. Não porque tenha razões para isso, mas porque escolho ser feliz.

Hoje toda a gente vende a felicidade, até a loja de gomas no centro comercial que por 5 euros e 50 cêntimos nos entrega um frasco com a dosagem de gomas que temos de comer para encontrar a felicidade.

Ou os diabetes.

Há livros com receitas para comermos os ingredientes que propiciam os minerais e as hormonas que nos deixam felizes. A ocitocina da vida.

O exercício e os pensamentos positivos.

As frases de Facebook e as fotografias lindas do Instagram.

Não há gente triste nas redes sociais. Há os mega felizes e os raivosos que por lá andam para ser os professional haters que implicam com tudo e com todos espalhando veneno, quais cascavéis enlouquecidas.

Compram-se guarda roupas de marca cara sustentados por cartões de crédito levados ao limite. Todas as fotografias se acompanham do #lucky e quem vê deprime a pensar que a sua vida é um barril de merda comparando com os maravilhosos dias encantados dos que segue.

Força de vontade a rodos e #no excuses.

 

Há uns meses fui jantar com uma amiga que estava para se separar, dizia-me. O marido não evoluía, não a conseguia acompanhar em todas as coisas que queria fazer na vida. Estava farta dele mas tinha pena de deitar anos de convivência pela pia.

Uma semana depois dou com declarações de amor rasgadas no Facebook. Sem ele a vida, aparentemente, não faz sentido. Mas isso só na vida da rede social. Na real está mais farta dele que um cão da sarna.

Mas a felicidade impõe-se, e se não serve para estar no pináculo da felicidade é preciso mudar.

Perseverança é uma palavra usada apenas e só se estivermos a falar de superalimentos, na recusa do açúcar ou agachamentos. Circunstâncias em que a vida se gere #withnoexcuses.

 

Acabam namoros mas a vida continua. Hoje aparentemente só existem duas saídas, a depressão ou o dar a volta por cima de tal forma que ficamos melhores do que estávamos com essa pessoa.

A raiva e o despeito não são vividos, são absorvidos pela vontade de fazer ver que a vida pode ser boa na sua ausência.

Mais likes. Mais seguidores.

E assim se segue, com mulheres abandonadas, empregos que consomem a capacidade mental, dias completos e assoberbantes, atividades desportivas intensivas e dietas rocambolescas.

Porque ser feliz não é um contexto, não é um resultado de factores, não é uma disposição. Ser feliz é um objetivo, é uma obrigação, um dever, um direito e acima de tudo uma escolha.

 

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