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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Maria Espreita

Quem é a Maria Espreita perguntam vocês?

Pois que a Maria Espreita é uma pessoa com a qual me vejo obrigada a laborar de há vários anos a esta parte. Não a tenho próxima todo o dia porque graças a Deus nosso Senhor ou ao arquiteto que desenhou os escritórios, cada uma tem o seu cubículo de trabalho o que me deixa estar sem lhe ouvir a respiração, os passos ou a voz (que deixa os meus neurónios em stress pós traumático quando sujeitos ao seu som por muito tempo).

De sua graça verdadeira outra coisa que não Maria e de seu apelido outro mais comum e menos cómico que Espreita, assim foi batizada por esta que vos escreve em resultado do seu habito de aparecer de surpresa em cubículos alheios.

Maria Espreita é chata e não tem vida própria. Ou se tem parece ser manifestamente entediante, de tal forma que esta relíquia de ser humano anda sempre a ver se apanha os outros de surpresa, na internet, em chamadas pessoas, só assim para ver se consegue beber um pedaço mais do sumo da vida alheia, tão mais gostosa que a sua.

Tenho ganas de a mandar à merda. De lhe dizer que fosse antes apanhar onde o sol não brilha em vez de ali estar a assustar uma pessoa com o seu “precisava de ver este relatório contigo” quando já está há mais de dois minutos atrás de mim a ver-me na internet.

Venho aqui a esta tabanca ao longo do dia. “Fora de horas” lá está. Tento que estejam as escrituras programadas mas por vezes tenho informação a querer-se vomitar do organismo para fora, de maneira que tenho de a partilhar para que me pese menos nos interiores.

Por pouco não me apanhou a escrever aqui, a mim, que prego pelo meu anonimato, que quero mais é poder escrever sem lambisgoias a gritar aos sete ventos que para aqui ando às um-quarto-para-as-nove.

Sinto um ímpeto profundo de lhe dizer “minha querida, com toda a educação que senhora minha mãe me deu, ide com a da mãe às costas, sim!? Não há pachorra que se invente e reinvente para levar contigo a torto e a direito!”

E é isto todos os dias. E é isto em momentos inesperados.

“Vou lá abaixo comer, queres alguma coisa?!”

Quero, quero que o faças sem espreitar aqui porque tenho aqui duas perninhas e consigo ir caçar o meu próprio alimento ao café sempre que a fome me aparecer. Tá bom!? Agora ide para o raio que te parta e não tragas esse focinho feio para aqui outra vez.

Em vez disso agradeço e fico corroída por dentro. Com a promessa que se um dia me sai um premio antes de me pôr a andar daqui p’a fora lá passo pelo cubículo dela, assim de surpresa e lhe digo “P’ó caralho, sim!?”

 

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