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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Lições de vida de um taxista lisboeta

Fomos deixar o carro à oficina.

Ainda que sendo na marca e sabendo o absurdo que temos para pagar “não há veículos de cortesia”. Já lá vai o tempo em que havia pequenas “regalias” em ir à oficina oficial e não ao mecânico da rua.

“Chamamos-lhes um táxi”, ofereceu o senhor, simpático.

Aceitámos, como é bom de entender.

Dentro do táxi encontrámos um senhor simpático, ao contrário de muitos com soluções para a vida em vez de lhe rezar a desgraça.

Taxista (T) – Isto à terça é sempre o pior dia.

Nós (N) – A sério?! Sempre pensámos que era a segunda.

T – Não…à segunda as pessoas ainda andam organizadas, à terça já entraram na desarrumação da semana e já se deixam desleixar um bocado.

N – E ainda por cima é principio do mês. Ainda há dinheiro….

T – Nãããã…isso dinheiro há sempre. Já dizia a minha avozinha “o gastador vai ser sempre gastador, o poupado vai ser sempre miserável”. Uma pessoa guarda, guarda e depois chega um dia e olhe…nunca vivem.

(olhamos um para o outro, um par de forretas)

T – Isto quando é preciso arranjamos forma de nos arranjarmos. Sabe o que é que ela me disse uma vez? “Sabes porque é que o teu pai nunca saiu da terra? Porque nunca passou fome. Acomodou-se”. E ela tinha razão, quando não nos falta nada acomodamo-nos e deixamo-nos estar.

 

E é tão verdade. Que tantas vezes para aqui andamos, a precaver um futuro que desconhecemos. A desconsiderar o presente. A fazer contas aos dias que aí veem sem dar nota de que passam por nós as horas com uma rapidez que nem se sabe.

O que se aprendi com uma viagem de táxi…cada vez menos acredito em coincidências…há coisas que acontecem por motivos que ninguém sabe explicar.

Que bem me souberam as palavras do senhor.

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