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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #77

A palavra "progresso" não terá qualquer sentido enquanto houver crianças infelizes.

Albert Ainstein

 

Estamos em pleno século XXI, a medicina está mais avançada que nunca, o conhecimento é mais abrangente, a comunicação permanente e a fome existe, numa escala severa, que abarca ainda demasiadas pessoas neste planeta não por falta de alimento, mas por incorreta distribuição. Meio mundo desperdiça quilos e quilos de comida, enquanto a outra metade faz fila para uma taça de arroz e meio copo de água.

Nunca o progresso esteve tão avançado, o nosso pequeno país foi considerado o 3º país mais pacifico do mundo e no espaço de 1 ano 43 crianças adotadas foram devolvidas.

Assim, como um telemóvel que afinal não tinha as funções esperadas por quem o comprou. A pessoa tinha a ideia que era um i-criança 2.0 e afinal era um modelo que desagradava.

É nesta condição que vive o ser humano, num total e profundo desrespeito pelo outro.

Que mal tão profundo pode uma criança com menos de dois anos fazer para merecer ser devolvida, como se trouxesse presa a si uma clausula com período de devolução. “Se não gostar das birras e das fraldas sujas, devolve em 14 dias sem qualquer constrangimento”.

Pergunto-me que animal cerebralmente desintegrado passa por todo um processo de adoção para depois, quando tem nos braços um ser que apenas quer ser abraçado, apenas quer amor, lhe pega não mão e o entrega ao sitio de onde o trouxe. Terá noção das marcas que deixa?

Certamente que não.

Que ideia tinham estas pessoas? Quem sabe de que se trataria de um nenuco, com que brincavam quando os amigos iam lá a casa, sendo eles ainda mais especiais que quaisquer outros pais porque se revestiam do altruísmo de quem cria quem não é do seu sangue.

Mas depois a novidade passa. As birras ficam, as camas com xixi a meio da noite, os sarampos, as varicelas, as amigdalites. O não querer a sopa e o sofá comprado a 60 meses na loja mais cara para dizer que têm um sofá de marca, lá aparece com um pedaço de cereja. Resultado das mãos sujas daquele ser que meteram em casa e que agora tanto se assemelha ao diabo.

Cansados para sair à noite. Birras. Não dorme depois da história de embalar.

Então é produto estragado. Porque não é igual as meninas e aos meninos de calções azuis e camisa branca, sapatos de fivela ou de vela. Crianças imaculadas nas fotografias de instagram das celebridades. Lá tudo parece tão mais encantado.

Então é devolver o produto danificado.

Agora mais danificado que nunca. Pela segunda rejeição.

Eu não sei o que devia acontecer a estas pessoas. Talvez que se tornassem publicas as listas com os seus nomes. Que se passassem a conhecer a escumalha que são. Porque não é preciso dizer mais sobre alguém que faz uma criança acreditar que lhe vai dar um porto seguro para depois a devolver por apenas ser uma criança.

 

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