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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #61

- Boa tarde.

- Boa tarde.

- O que a traz cá?

Pergunta a terapeuta enquanto me sento.

- A vida.

- Isso é muito vago.

Diz ajeitando os óculos por cima do nariz.

- São tantas coisas que o fio da meada se perde num novelo desorganizado.

- E o que quer é encontrar a ponta desse novelo?

- Creio que sim. Encontrar a ponta do novelo e desenliar as linhas perdidas em nós.

- Então e quer começar pelo principio? Normalmente é a melhor coisa.

- Qual principio? O principio de mim. O principio dos problemas. O principio da vida. Qual principio?

- O dos problemas. Comecemos por esse.

- Não sei onde começaram. Acho que só me dei conta a meio deles.

- Então comecemos por esses.

- Era uma vez uma mulher que achava que sabia das coisas…

Calo-me.

Aguarda.

- Não quer continuar?

Retiro os olhos do infinito que encontro na janela atrás da terapeuta.

- … e afinal não sabia de coisa nenhuma. Tenho medo.

- De quê?

- De tudo. Da morte, dos acidentes, do desemprego, de não saber a solução certa. Da vida. Acho.

- Acha? E tem medo porquê?

- Porque a vida é curta. Porque coisas más acontecem a pessoas boas. Porque os minutos me atropelam e as tarefas me assoberbam. Porque me sinto incapaz.

- Então vamos fazê-la capaz.

- Capaz de quê?

- De dizer que não. Porque ninguém consegue estar em toda a parte.

 

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