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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #57

Sabe quem me conhece que adoro animais, especialmente cães. Sou aquela tipa que chega à casa dos outros e anda atrás do cão para lhe fazer festas em vez de ser o cão a pedir. Fico possuída com maus tratos e negligência.

Sabe quem me conhece que estou sempre disponível para ajudar um amiguinho de 4 patas. Mas sabe também quem me conhece que não concordo propriamente com aquela coisa de que ter um Pastor Alemão ou um Pinscher é mais ou menos a mesma coisa. O resultado do mau comportamento de um e de outro pode trazer consequências manifestamente diferentes e é aí que as coisas mudam.

Se um pinscher morder uma pessoa, pode deixa-la com uma cicatriz, com dor, mas nada que não se resolva rapidamente sem que em momento algum a sua vida seja colocada em risco. Se um Pastor Alemão se lançar a uma pessoa – e falo aqui de um adulto – as consequências são diferentes. Estamos a falar de cães usados para deter criminosos, ora se fosse fácil ver-se livre deles não era usados para este fim, certo?

E por esta altura já todos perceberam que estou a entrar no tema que compõe algumas das capas de jornais de hoje.

Um cão de raça Rottweiler andava a passear solto e sem açaime perto de crianças tendo atacado uma menina de 4 anos deixando-a desfigurada. A criança, segundo reportam, estava à porta de uma casa mortuária porque a família tinha ido a um velório. O pai terá tentado chegar à fala com o monte de merda proprietário do cão, tendo sido agredido pelo mesmo.

A criança foi mordida com gravidade e a mãe, que tentou acudir a criança foi também mordida.

O filho da puta dono do cão, pegou no cão e fugiu.

Agora andamos todos em volta da história dos cães que as pessoas podem e devem ter e que todos estes cães são maus e esquecem-se que o monte de esterco do dono é devia ser abatido porque é escumalha que não faz falta à sociedade. Mais preferia que o mandassem para o fundo de um poço sem água do que prender este cabrão, porque vai comer com o dinheiro dos meus descontos.

Quanto ao cão, se o conseguirem reabilitar muito bem, mas eu não ficaria com ele. Sou franca. Um animal que atacou uma criança? Não, não ficaria com ele.

Mas a culpa foi de ser mal educado, e do dono e o diabo a quatro vão dizer-me os fundamentalistas.

Pois sim, mas tenho filhos em casa e teria zero garantias de que não o faria de novo.

Há uns anos atrás ao ver um programa do César Millan (e sim já sei que há quem o deteste e ache que é uma fraude e blá, blá, blá, eu gosto dele e tenho os livros todos por isso não vela a pena virem moer-me a cabeça) ele estava a dar assistência a uma mãe que tinha um cão que mordia os filhos. A senhora, em vez de ralhar com o cão (ou dar-lhe um carolo) ralhava com os miúdos porque tinham de dar espaço ao cão. Sobre isso ele disse qualquer coisa como “os meus cães são uma família, amo-os, são quase tudo para mim. Quase, porque tudo é a minha família. Se alguém me obrigasse a escolher entre um filho e um cão, não pensaria duas vezes. Um filho é um filho”.

E há quem ache que isto não é bem assim.

Filhos e cães no mesmo patamar.

Desculpem-me mas não.

Cuidados, amor, carinho, atenção, ser tratados como verdadeiros bijus, sim senhora. Mas filhos são filhos e cães são cães.

 

Dito isto.

Animais diferentes têm consequências diferentes considerando o seu tamanho e a sua capacidade. Há pessoas que só deviam ter alguns e há gente que não devia ter nenhum.

Espero pelo dia em que este país se desenvolva socialmente. Para que as pessoas respeitem os seus deveres cívicos e as suas obrigações, em vez de andarem sempre a queixar-se de direitos que lhes faltam.

Espero pelo dia em que se respeitam pessoas e animais.

Mas parece que cada vez estamos mais longe disso.

 

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