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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #52

Há algum tempo aprendi que falar é fácil. Que todos temos opiniões, especialmente sobre a vida dos outros. Aprendi que é fácil julgar mas que quando nos colocamos no lugar dos outros, quando nos vemos confrontados com a mesma realidade nem sempre somos tão “fortes”, tão sábios ou decididos como aparentávamos ser nesse belo momento de julgamento.

Julguei colegas que se diziam cansadas dos filhos e que estavam desejosas para que fossem passar um fim de semana aos avós. Julguei quem dava uma semana inteira douradinhos aos filhos para jantar. Julguei os que se enganavam e os que se sentavam a olhar para o telemóvel.

Depois fui mãe. Depois vivi o cansaço e hoje sei que às vezes tenho de deixar o miúdo com os avós para descansar uma noite completa porque ando de rastos. Hoje sei que tenho o privilégio de ter todos os dias o marido em casa para ajudar com as tarefas e o jantar porque de outra forma às horas que chego provavelmente muitos dias havia douradinhos. Hoje sei que me sento e me prendo por 10 minutos na qualquer porcaria que passa na televisão porque estou cansada e por muito que a culpa me grite para estar a dar atenção ao meu filho, de quem tive saudades todos os dias, o meu cérebro pede descanso.

Hoje a noticia de capa de todos os jornais é uma jovem de 17 anos que morreu após ser diagnosticada com sarampo e para a qual foi confirmado não estar vacinada.

O mundo caiu sobre os pais.

Não vou fazer isso.

Se seria a minha opção? Não. Não seria e não foi. O meu filho tem todas as vacinas do plano e mais aquelas que possam prevenir o cagagésimo de verme que o possa prejudicar. Mas essa é a minha opção. Se alguma dessas vacinas lhe fizer mal, a responsabilidade é minha que assim decidi.

O que sei é que estes pais não o fizeram por negligência, displicência, mau trato ou falta de amor aos filhos. Muito pelo contrário, em muitos destes casos em que se trata de uma opção pensada existe uma corroboração – pelo menos na cabeça de quem decide – que leva estes pais a fazer esta escolha.

Não o fazem com má intenção. Não o fazem com o intuito de fazer mal. Muito pelo contrário, tomam esta escolha porque pensam estar a salvaguardar os seus filhos de um mal que lhe possa ser causado pela vacina.

Já lhes chega viveram com a culpa da sua decisão, não precisam de ter a sua cara esfregada no seu sofrimento.

Penso eu.

Um pai e uma mãe decidem deixar o seu filho de 17 anos ir para a viagem de finalistas e acontece um acidente, vamos recrimina-los porque permitiram que fosse. “Se tivesse ficado em casa estava vivo!” diriam.

 

Sou contra esta politica de anti vacinação. As teorias da conspiração até podem ser verdade. Pode ser verdade que os vírus foram criados em laboratório para vender vacinas. Mas o que interessa é que existe uma ameaça e eu compro pelo preço que for o que salve os meus dessa ameaça.

 

As vacinas são isso mesmo, salvaguarda das ameaças de um mal maior.

 

Dito isto, respeitemos o sofrimento dos pais. Respeitemos que fizeram uma escolha e que a vida não lhes correu de feição.

 

Termino com uma história verdadeira, há uns anos uma menina de nome Safira foi diagnosticada com cancro. O Hospital submeteu a criança a tratamentos intensos de quimioterapia e os pais estavam sentados a ver a filha a morrer aos poucos. Decidiram procurar alternativas, eram pessoas informadas. Encontraram uma solução alternativa, noutro pais, uma terapia não usada nos nossos hospitais mas com elevadas taxas de sucesso.

Fugiram com a filha quando o nosso Estado lhes retirou a custódia da própria filha.

A menina sobreviveu, é hoje uma jovem forte, saudável, sem resquícios do mal que a assaltou.

 

Moral da história, se tivesse corrido mal os pais seriam linchados em praça publica…mas como correu bem escreveram livros, o pai dá workshops de cozinha saudável e fizeram-se heróis que servem de exemplo para muitos.

 

Nota: Não obstante tudo o referido o maior mal não é a opção para o próprio filho/a é o potencial contágio e epidemia de uma doença que se pensava erradicada. Cabe ao Estado informar, aos médicos aconselhar. Alertar para os perigos, não só do individuo mas da comunidade.

 

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