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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #49

Quando a procura é maior que a oferta começa a despontar um je ne sais quoi de desplicência no tratamento do cliente.

Fiz um e-mail com um pedido de informações para marcar uma consulta no consultório de um médico conceituado. Das quatro questões que coloquei, para o e-mail disponibilizado no site da clínica onde referem expressamente "para quaisquer dúvidas respeitantes a consultas xxxxx@xxxx".

Ao e-mail recebo uma resposta pró-forma que me diz que para saber horários disponíveis é melhor ligar. A morada da clínica (coisa que não necessito porque felizmente sei usar a internet para saber a localização) e um valente enfoque no preço, que efetivamente solicitei.

Termina o e-mail com um seco "não temos acordos com seguradoras", para deixar logo claro ao pedinte que procura marcar consulta que ali, ou entra pasta a valer ou é melhor ir pregar para outra freguesia.

Quando eu era miúda não me atrevia a comprar nada sem perguntar quanto custava antes. Não importa o dinheiro que custava, primeiro sabia-se o preço. Era educação base. Hoje perguntar quanto custa é sinonimo de pelintra, só um teso é que pergunta quanto é. O resto das pessoas ou tem ou paga com visa, agora perguntar quanto custa é que nem pensar.

Pergunto-me se o meu e-mail assinasse como Catarina Furtado, como Júlia Pinheiro, como Fátima Lopes, se recebia a mesma resposta pro-forma.

É o resultado da industrialização da medicina, da saúde. Retira o trato relacional, transforma a pessoa num numero matemático certo onde a mesma formula funciona sempre. Como confiar depois que vamos ser bem atendidos quando para o mero pedido de esclarecimentos não há tempo para quem vai pagar?

Desisti de marcar consulta. Tenho a ideia que vou chegar lá e ser despachada ou encaixada numa forma idêntica a tantas outras. tratada com o pro-forma e se não correr bem não faz mal, que depois há sempre uma Rita Pereira, uma Tânia Ribas de Oliveira, uma Fátima Serrano para contratar, pagar a peso de outro e consultar a preço zero. Para levar ao programa da manhã, depois ao da tarde e angariar uma porrada de novos pacientes que, certos de um atendimento igual ao das estrelas, lá entregam 3 dígitos sem levantar questões.

 

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