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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #41

Já passava das sete da tarde mas o sol mostrava outra hora.

Um dia vivo, alegre.

Chegar e encontrar o jardim do bairro cheio de pessoas, umas a beber café na explanada, outras a tomar conta das crianças que se enchiam de areia nos parques, outras ainda na busca de um corpo mais definido onde enfiar o biquíni. É que o verão está a porta e todas as curvas que não foram convidadas se querem longe da vista. Aquelas que se acoplam a nós nos dias invernosos carregados de chuva, em que a salada não convida, em que um prato colorido lembra os dias quentes de uma estação que tarda em chegar. E comemos bolachas, bolos e chanfanas. Tudo o que nos aqueça o interior, porque o resto do corpo está escondido por força da necessidade e não da vergonha.

Dentro de casacos e casacos, pijamas polares largos e robes de várias cores.

Ontem cheguei ao bairro para encontrar mais pessoas na rua que em casa. Um sorriso alegre no rosto, de quem está satisfeito porque o sol lhe aquece a pele, porque a luz do dia contraria o horário do relógio.

Peguei nos cães para irmos passear, demorei-me. O homem foi correr. Parecia uma pista, dizia-me ele.

E eu sabia, que o vi a correr. A ele a todos os vizinhos que na maioria do ano não sei existir.

Parei com os cães a cheirarem demoradamente a relva, satisfeitos a apanhar o ar quente que contrasta com o da casa, que em resultado de um chão em tijoleira e da sombra do mamarracho em frente teima em não aquecer.

E eu sorri, satisfeita. Porque o sol ainda estava alto, porque o dia parecia ter ainda mil horas, porque fui buscar um frango para jantar com a luz do dia.

Porque no verão o calor nos aquece a alma e somos mais felizes.

 

 

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