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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de horas #25

A caminho de casa falávamos da vida, do trabalho, dos que nos rodeiam, das ações. Das que os outros têm e roçam em nós.

Falávamos na permanente procura de ver a vida a correr mal aos outros. Na satisfação que se encontra nos rostos que nos rodeiam sempre que conseguem “lixar” mais um.

Falávamos que não há santos. Que também nos acontece sentir uma ponta de alegria com o mal alheio.

Quando as agulhas não se acertam. Quando vemos um sorrido no rosto porque falhamos. Quando percebemos que a nossa desfortuna é o regozijo alheio, começamos a assemelhar-nos. Alegramo-nos com o seu mal, o “toma lá que é para aprenderes”. Azedamos mais por dentro e apodrecemos como pessoas. Porque nos tornamos iguais aos que menos gostamos.

Uma espécie de vingança silenciosa. Aquela para a qual apenas participamos com o desejo que azar alheio.

Falávamos de como era bom que fosse diferente. Que cada um vivesse bem na sua pele.

Que cada um fizesse por si.

Mas o ser humano tem cada vez menos virtudes. E o mal marca-nos mais que o bem.

E o desejo porque paguem pelo mal que desejam aumenta.

E damos connosco menos felizes e mais rancorosos.

E ainda bem que percebemos. Porque assim podemos fazer diferente.

 

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