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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Fora de #86

Detesto quando me procuram a troco de algo que não tenho para dar. Por isso estranhei quando me ligou, repleta de saudades, a minha falta tornava-lhe a pessoa incompleta. Jamais me ocorreria que lhe faltava tanto. Jamais me passaria pela cabeça que a minha existência lhe dizia tanto. Sempre me pareceu que havia um qualquer desconforto nas nossas conversas, uma certa falta de saber como estar, presa à permanente tentativa de adivinhar o que podia a transição de uma conversa de circunstância para uma conversa de verdade.

O mal das conversas de verdade é que resultam nas diferentes, a chatice das conversas sem ser correto é que nos despe de pensamentos e raciocínios de defesa.

E as perguntas soltas começam a tornar-se mais objetivas. E as frases de simpatia começam a transformar-se no querer saber.

- Sabes da Margarida?

- O que tem a Margarida?

- Dizem as más línguas…aííí…dizem as más línguas que anda metida com o Antunes.

- Não sei de nada.

- Não te contou nada?

- Porque havia de contar?

- Parecem tão próximas…parecidas…pensei-vos amigas.

- Somos. Mas não sei da vida de ninguém…e mesmo que soubesse nada contava.

E o suspiro descreve o pouco para que lhe sirvo. Deixei de lhe fazer falta para estar completa. Retoma o seu dia sem um “até logo”, afinal de contas passei a valer o mesmo que a peça de mobília em que se sentou. Ou menos que essa, que ao menos a cadeira ainda lhe segurou o cú e eu não lhe preenchi nenhuma frase em branco.

 

#ficçãodaminhacabeça

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