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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

E se eu dissesse que afinal não quero

E se eu dissesse que afinal só quero ficar no meu canto. Fazer as minhas coisas e terminar os meus objetivos.

E se eu chegar e disser que afinal pensei melhor e que não sou a pessoa certa para a função. Que gerir pessoas não é comigo. Que não estou para estar a marcar posição com a colega que não ficou no meu lugar, para que ela não tente sistematicamente e a cada segundo provar ao mundo que se sentava melhor que eu na minha cadeira.

Faz-me lembrar os cães que mijam no mesmo poste todos os dias. Uma mija em cima da outra para ver quem fica com o cheirinho por cima.

Não gosto disso.

E se eu chegasse e dissesse que só quero mesmo que me deixem em paz. Que erraram na escolha de perfil. A porta é errada e a janela é mais ao lado.

Sinto-me cansada e ainda não passou um mês.

Estava melhor no meu canto. Sem ter de saber quando os outros chegam atrasados. Sem saber quando os outros ficam doentes. Sem me preocupar com as responsabilidades acrescidas que não valem nem mais um tostão ao final do mês.

As responsabilidades que os outros pensam que valem uma porrada de dinheiro ao fim do mês e nem um cêntimo recebo por ter mais para fazer.

E se eu chegar e disser “deixem lá estar isso, estava bem no meu cubículo”. E ficassem sossegada na minha gaiola, com o horário como objetivo do dia e a cabeça sem se preocupar com as rasteiras e com as galinhas que se fazem contentes quando querem é que façam caldos para sopa comigo.

E se eu disser que quero outras coisas da vida e que esta não é uma delas.

 

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