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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Desgostos de verão

O maior desgosto de verão concentra-se no meu centro. O maior desgosto de verão é a barriga que teima em não encolher, que me envergonha num biquíni e que escondo debaixo de um fato de banho escuro que promete comprimir as entranhas a ponto de ficar com uma cintura de vespa.

O segundo maior desgosto são as mocinhas novas que se pavoneiam praia fora. Pairam em enxame, sempre com três gordinhas à volta de duas de ventre liso ao centro. A mais admirada de maminhas rijas que se aguentam no mesmo sitio num cai-cai que não mexe, mesmo sem tiras.

Chateia-me que se pavoneiem à minha frente e me tapem a vista para o mar, aquele que me lembra que a vida é tão pequena e que as minhas entranhas são de tamanha mediano.

Chateia-me que os miúdos salva vidas se percam no seu pavoneio em vez de se preocuparem com quem se pode afogar. E se alguém se sente mal, quem vê?

A praia não é uma discoteca à beira mar.

Para nós, os mais velhos é uma espécie de fonte de juventude. Para os que têm filhos pequenos, a promessa da melhoria das bronquiolites.

De resto a listas de desgostos termina com o curto tempo para a praia, com dias contados, na mingua. Dias em que se sente o sol nos míseros segundos em que não se toma conta das crias. Dias em que se enfiam os olhos no livro para não ver as moças novas que se pavoneiam com o ventre que tivemos em tempos. Hoje comprimido, num fato de banho escuro e cheio de promessas.

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