Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Conversas de elevador

É possível que as conversas de elevador me aborreçam um tudo nada porque não sou efetivamente uma grande apreciadora do andar p’a cima e p’a baixo dentro da caixinha. Isto para mim era tudo feito em moradias rasteirinhas ou com dois, três andares, vá e nada mais do que isso. Cá agora arranha céus com quarenta andares qual quê.

Isto pode dever-se a uma espécie de claustrofobia seletiva, que apenas se manifesta quando fechada numa caixinha em movimento, como pode ser pelo profundo medo que ande algum maluco armado em James Bond agarrado aos cabos daquilo que acabe por escangalhar aquela bodega resultando na queda da caixa e no inevitável esfrangalhamento do seu conteúdo.

 

Posta de parte que fica esta nota, a outra coisa que mais me incomoda no elevador é a conversa de elevador, ou as pessoas que circulam no elevador que fazem sempre o mesmo tipo de conversa e uma pessoa, quando as vê a vir, ganha de repente a necessidade de voltar a casa ou voltar ao escritório ou voltar para onde quer que tenha vindo, numa de “aí esqueci-me de não-sei-o-quê” só mesmo p’a ver se não vai na caixinha com dita pessoa.

 

E que tipo de pessoas estamos a falar. Depende, há várias.

 

A que pergunta mas não quer saber

Este é aquele tipo de pessoa que irrita e que leva à vontade de dar um calduço. É aquela pessoa que, não sabendo estar calada começa “então?!...tudo bem?!..a pequenada?” e uma pessoa e tal que estão melhores que nós porque estão a fazer outra coisa que não seja trabalhar. Segue-se aquele momento em que se balançam as pernas para trás e para a frente como se estivéssemos numa espécie de baloiço virtual do incomodo enquanto a nossa mente ofende forte e feito o elevador por nunca mais chegar. “então e aqui há tempos tinhas andado com aquela dor, tás melhor?”.

É uma coisa que este tipo de pessoa faz. Enquanto uns ofendem o elevador fortemente por não chegar, este tipo de gente faz uma espécie de pesquisa sobre as coisas que aquela pessoa lhes possa ter dito. É aí que se vão lembrar de todas as maleitas e mais algumas, quando não mesmo da avó que já morreu três conversas de elevador atrás.

“Tou melhor obrigada.” A resposta civilizada.

“Mas afinal era o quê?” A necessidade de escarafunchar na vida da pessoa.

E a pessoa sente-se na obrigação de responder e explicar, até com algum detalhe, a sua maleita.

“Epá olha foi uma chatice…"

Chega o elevador carregado de gente e temos o azar de ficar mesmo lado a lado. A pessoa a acenar que está a entender tudo e tudo e nós e coiso e tal e tal e coiso até que quando pára no penúltimo andar antes da saída nos diz “não estou a ouvir nada, está muito barulho”.

Uma pessoa respira fundo. Refreia-se para não lhe dizer “então porque é que não avisaste, caralho?!” e sente uma lufada de ar fresco quando a porta se abre no zero.

Pondera fortemente subir os 14 lances de escadas quando tiver de voltar da hora de almoço.

 

O tipo do tempo

Prefiro este ao outro, mas é chato como a porra na mesma.

É a pessoa que sabe o tempo de hoje de manhã, o que vai estar à tarde, o que esteve no mês passado, dia 23 às 11 horas e 21 minutos e que estava uma porcaria. Podia estar muito calor ou muito frio, ou muita chuva, ou muita humidade, mas sempre uma porcaria de tempo.

E uma pessoa ali está, no seu balanço de pernas.

“Este tempo hã?”

“Uma chatice, esta chuva?”

“É mesmo. E ontem, o frio?! Aí não sei o que gosto menos, se o frio de a chuva.”

É nessa altura que uma pessoa diz.

“Devia era vir o Verão.”

“Pois, era bom. Mas também não me dou muito bem com muito calor.”

E é isto até chegar ao zero.

 

Os que continuam a trabalhar

Uma pessoa vai fazer uma pausa. Fumar um cigarro, comer um gelado, beber um café, almoçar e depois quando chega ao elevador encontra aquele caramelo que se lembra sempre de uma porra de um e-mail.

“Ainda bem que te encontro!”

É a frase de começo de conversa.

“Então?!”

“Mandei-te um e-mail que precisava mesmo que visses!”

Porque uma pessoa não faz mais nada que não seja estar sentada numa secretária à espera dos e-mails de dito caramelo. Pior quando o e-mail foi enviado 1 minuto antes de ir apanhar o elevador e uma pessoa nem faz ideia do que lhe foi enviado.

Este é o mesmo que manda um e-mail às 12 horas e 22 minutos e às 12 horas e 23 minutos está a ligar a perguntar se a pessoa já leu.

 

O tipo que está ao telefone / na internet

Este tipo de gente sou eu. Não era mas passei a ser. E confesso que as redes sociais me ajudam de sobremaneira com esta treta.

Ou vou ao facebook, ou ao instagram e depois faço aquelas caras muito interessadas de quem está a ver alguma coisa mesmo interessante. Tanto que não dá para dar mais conversa nesse momento.

Assim, estou a chegar ao elevador e já tenho o telemóvel na mão não vá aparecer alguém. Depois é só levantar levemente a cabeça e dizer “N’tão!” Que é como quem diz como-é-que-vai-isso-não-quero-saber.

 

Tenho a certeza que há mais mil e uma tipologias. Mas por hoje são estas. 

É isto. Um dia destes apanhei um e lembrei-me.

 

3 comentários

Comentar post