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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Conto #13

- O carro teve algum problema. Temos de ver com a marca o que se terá passado. Falei com a policia, vi as perícias. Não aconteceu nada que pudesse justificar o despiste.

- E tem a certeza que não poderá ter adormecido. Cansaço...

- Não. Não me parece. A minha esposa é muito consciente, muito controladora, nem quando vai no pendura se deixa adormecer. Não acredito.

- É que não entendemos. E foi uma sorte o outro condutor ter saído ileso.

Ouço passos e a porta a bater. Mais alguém a querer entender o que se passou. Passou-se que me perdi nas minhas ideias. No meu âmago vazio. Talvez tenha enlouquecido.

- Já só cá estás tu?

Olhou-me surpreso, pensava que estava a dormir.

- Sim. Descansa querida. Toda a gente quer respostas. Foi um acidente.

- Não sinto as pernas.

- Os médicos estão a fazer o melhor que podem.

Já ouvi estas duas frases em filmes e normalmente não quer dizer nada de bom.

- Bati no carro de alguém? Tenho ideia que quando tentei controlar o carro embati noutro.

- Sim. Foste contra um carro na faixa contrária.

Fechei os olhos com força. Queria apenas imaginar que estava a voar.

- Ficou alguém magoado.

- Arranhões.

- Juras.

- Sim. Apenas tu...

- Eu...?

- A tua coluna...bom, os médicos estão a fazer o melhor que podem.

Fez-se silêncio. Segurou-me na mão por um tempo que não sei determinar.

- Larguei o volante.

- Como assim.

- Sentia-me vazia. Larguei o volante e fechei os olhos. Senti que voava. Voltei a abrir os olhos porque buzinavam, tentei controlar o carro mas foi tarde demais.

- Podias ter acabado com a tua vida.

- Ás vezes sinto que não a tenho.

Apertou-me a mão com mais força.

- Tens...mas se não a encontras vamos procura-la juntos. Agora dorme mais um pouco.

Acordei com a voz do Manuel a falar com outra pessoa. Mantive os olhos fechados para que pensassem que ainda estava a dormir.

- Falou um pouco comigo. Passou-se algo com o carro que não soube explicar, um qualquer erro momentanio da viatura.

- Uma pena esta situação.

- E a coluna doutor.

- O estado não é promissor. Para já quando sair terá de usar uma cadeira...mas vamos ver o que se consegue com o tempo.

Escorreu-me uma lágrima pelo rosto...não sentia as pernas...mas sentia a vida outra vez.

 

Esta é uma rubrica de contos. Cujo teor é totalmente ficcionado.

 

 

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