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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

As crianças não são sempre fofinhas

No Domingo fomos passear em família ao jardim perto de casa. Temos a casa numa circunstância de profunda nojo e desarrumação o que, há falta de empregada que faça as coisas, temos de ser nós a limpar mesmo que apeteça passar o dia com os corninhos ao sol como faz o caracol.

Chegamos ao jardim e eu fico com o piqueno enquanto o pai vai correr.

No jardim há vários espaços para crianças, com escorregas, baloiços, aqueles túneis ou-lá-o-que-é, entre outras coisas que não havia no meu tempo. O piqueno gosta de brincar com a areia. A sua pazinha, o seu ancinho e lá anda ele a escavar areia de um lado e a leva-a para outro.

Quando chegamos havia miúdos por todo o lado. Eu não sei como é com as outras pessoas mas eu fico numa agitação só com aquela miudagem toda aos saltos e aos gritos. De facto gabo a paciência das educadoras de infância. Eu, em vez de manter a tranquilidade vou sorrindo e tentando manter a calma interior.

Um grita, outro manda vir, outro tira não sei o quê a outro, outro anda de cabeça para baixo. Vem logo uma direita ao meu piqueno para lhe tirar a pá. Apareceu o avô de esguelha mesmo a tempo de eu ter de intervir.

O meu puto sempre numa descontração só. Na vida dele como se nada fosse. Admiro-o por isso.

Vai de um parque para outro e a caminho há uma miúda que se estatela a andar de trotinete. Desata a berrar numa choradeira desgraçada.

Eu pensei, coitada deve mesmo ter dado um ganda malho.

Estamos nós a chegar lá ao espaço com areia que tem um comboio com madeira e vejo a mesma miúda do espalho já bem grande a entrar atabalhoadamente pelo comboio. O meu piqueno a brincar com a sua areia carruagem a carruagem e a miúda no encalço dele. Eu ao lado a ver no que aquilo ia dar.

Aqui importa se calhar esclarecer que o meu puto tem 2 anos e a miúda tinha pelo menos 8 (ou então estava tremendamente desenvolvida).

Chegamos ao fim do comboio de madeira e o meu piqueno começa a pôr areia no ultimo vagão que é suporto imitar o vagão de carga.

A estúpida da miúda põe-se de pé lá dentro e começa a arrastar com os pés grandes a areia toda que lá estava (montes de areia de várias crianças brincarem) cá para fora em direção ao meu miúdo.

Comecei a vê-la assim meio enevoada mas pensei deixa lá ver o que esta otariazinha bully vai fazer porque se os paizinhos não aparecem vou eu ter de lhe explicar que a vida não é assim.

Tal não é o meu espanto quando começa a ralhar para o ar:

- Isto não é para pôr aqui areia. Depois as crianças querem deitar-se aqui e ficam todas sujas.

Tudo enquanto continuava a raspar os pés no chão. Ora estamos perante uma criança que das duas uma, ou é má de natureza, porque está a tentar fazer mal a um bebé de 2 anos ou tem sonhos com comboios que levam no vagão de carga pessoas lá deitadas e emprateleiradas. Ou isso ou precisava de uma galhetazita de quando em vez.

Como se não bastasse diz para o meu puto altiva e petulante:

- Não mandes p’aqui areia pá!

E eu mando vir a mãe loba que há em mim e digo-lhe:

- OLHA LÁ AMIGA! Tás a brincar não estás?! Então deixa-o lá brincar a ele que é pequenino.

E ela pôs-se a andar.

Com isto o papá e a mamã nem deram as caras e estava a brincar ao vólei com uma bola dos filhos ao pé de crianças de 1 e 2 anos sujeitos a acertar numa. Por sorte só me acertaram a mim.

 

Há muita coisa que aprendemos, há muita coisa que vimos na televisão, mas quando uma criança de 8 acha boa ideia ir implicar com um bebé de 2 há qualquer coisa que não está bem. Desculpem-me a franqueza.

Depois admiramo-nos dos bully’s e dos que fazem mal aos mais pequenos.

É isto.

As crianças nem sempre são fofinhas e queridas, às vezes dá mesmo vontade é de lhes pregar umas valentes lambadas. Eu levei as minhas e hoje estou aqui fina e rija. E no meio disto nunca me deu para implicar com os mais pequenos.

 

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