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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Amar pelos dois

Lembro-me da audição do Salvador no Ídolos. Não me lembro do ano. Lembro-me que cantou Rui Veloso. Lembro-me que cantou com emoção. Lembro-me de ter parado o que estava a fazer para o ouvir. Lembro-me de pensar que o “puto tem jeito”. Ou se calhar estou a misturar tudo e vamos ver e não cantou Rui Veloso coisa nenhuma.

Mas lembro-me da imagem. Daquele jovem igual ao comum dos mortais. Sorridente, t-shirt branca, ombros meio encolhidos. Sem cores extravagantes. Umas calças de ganga e uns ténis.

Uma voz.

Não me lembro do que aconteceu depois. Não acompanhei o programa.

 

“O irmão da Luísa Sobral vai participar no Festival da Canção”, ouvi.

Tá bem! Pensei.

Mais uma participação.

“Mas olha que leva uma musica da irmã!”

Tá bem! Pensei.

Tantos levam tantas músicas. Certo que é uma lufada de ar fresco uma artista conhecida e de sucesso. Com trabalho reconhecido. Mas mais uma música talhada para falhar. Mais uma composição que se molda aos contornos de um festival arranjado.

Quais homens da luta!

E lá aparece o Salvador. Nem me lembrava do nome. Lembrava-me do menino de t-shirt branca.

Lá aparece com a sua barba por fazer e o seu cabelo mal arranjado. A roupa de quem não se preocupa com coisas menores. A imagem de quem quer agarrar pela emoção que vai transmitir.

Não ouvi a música.

Revistas cor de rosa. Problemas de saúde. Drama.

Um nicho para as cobras dos media que arranjam e desarranjam noticias para vender por euro e pouco o que dá emoção às vidas de quem compra o passe e apanho o barco todos os dias. De quem se cansa com tanta palavra num livro. De todos nós que matamos a sede dos velhacos que temos em nós.

Ouvi a música pela primeira vez esta semana. Puseram-na a tocar os colegas de trabalho. Tinha de ouvir.

Vamos lá a isso. Pensei.

O miúdo é bom. Pensei.

O miúdo é mesmo bom. Pensei.

Que bela música! Boa demais para o festival da canção. Pensei.

E passei a cantarola-la por casa, nesta minha voz de cana rachada que faz os outros rir.

Hoje ouvia no telemóvel a entrevista ao Salvador no Alta Definição.

Que pessoa interessante. Que mente criativa.

Nos blogs, nas revistas, nos sites, nos jornais, na televisão. Toda a gente fala do Salvador.

“Amanhã alguém ganha o X-Factor e já ninguém se lembra de mim” dizia.

Permite-me discordar Salvador. Creio que encontraste a tua voz e lembraste-nos da nossa. Aquela que abafamos para nos parecermos com a senhora que canta com o gorila ou com a outra que deita pombas do rabo.

Afinal de contas o que vem de fora é sempre melhor que o que temos cá dentro e a galinha da minha vizinha é sempre melhor que a minha. Mas às vezes não.

 

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