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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Ainda bem que é sexta-feira

Ando cansada.

Peço desculpa. Vou corrigir-me.

Anda muito cansada. Exausta. Mil tarefas, reduzidas horas de sono e uma cabeça que insiste em preocupar-se em demasia com os problemas e com aqueles que não são problemas. São só monstros cabeludos que a minha cabeça ansiosa cria. A incapacidade de aceitar que a vida pode andar sempre direita, sem mil passos atrás quando dá dois à frente.

Estou esgotada. Tanto que por vezes me sinto tonta. Exijo tanto da minha cabeça que não sei parar para não pensar em nada.

Lembro-me das tardes de verão que passava no jardim com as amigas. Conversas inventadas para ocupar o tempo que se revestia de tédio nesta mente inquieta. Ocupar o tempo para não fazer nada nos verões das férias de escola em que prometia a mim mesma que um dia mas tarde ia fazer o mundo.

Hoje lembro-me dessas tardes de verão e quero voltar. Quero sentar-me novamente no jardim por uma hora que seja e absorver o sol sem pressas. Sem as tarefas do trabalho. Sem os afazeres de casa. Sem as responsabilidades impostas de uma vida adulta que chega para esmagar o descanso da adolescência a que não damos valor.

Sinto-me tão cansada que me custam as palavras. Escrevo sem nenhuma intenção e toda ao mesmo tempo. Escrevo porque me ocupa a mente e as letras se sobrepõem aos problemas, aos afazeres. Escrevo porque receio que o músculo da escrita perca volume se deixado quieto. É melhor inquieta-lo sempre que possa. Escrevo porque sim. Porque nesta cabeça que assume compromissos consigo mesma tenho de escrever.

 

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