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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

A felicidade da fé

Há muitos anos atrás lembro-me de ter lido um texto sobre os benefícios da fé. Não me recordo a propósito de quê era esse texto, nem tão pouco se se trataria de uma passagem de um panfleto impingido pela igreja Jeová. Panfleto esse aceite para não ter de ficar a ouvir os seus pregadores por mais de meia hora.

Recordo-me que um dia, há muitos anos atrás, depois de regressar do funeral de uma pessoa muito querida, uma perda inconsolável, me bateram à porta. Ninguém mais em casa ouviu para além de mim. Abri para encontrar duas senhoras com panfletos na mão e a palavra do senhor na boca.

Estava tão zonza que as deixei falar sem nunca interromper até que ouvi alguém atrás de mim.

- Não estamos interessados, obrigada.

E fechou a porta.

Tinham estado a falar para mim, num estado de letargia profundo, de forma ininterrupta. Satisfeitas de pregar a sua crença sem ser escorraçadas ou questionadas.

Mas dizia eu que li há muitos anos numa qualquer parte que as pessoas que têm fé são mais felizes. Recordo-me que achei estranho e que não me fez sentido. Não fez numa primeira impressão, mas depois parei para pensar no tema.

O que é que realmente mais nos atormenta na vida?

Morrer? Perder quem mais amamos? Ficar doentes? Errar?

Todas elas, porventura.

A vantagem de quem acredita verdadeiramente é a capacidade de se desvincular da responsabilidade. É a criação de uma segunda hipótese que o descrente sabe não existir. Para o crente a vida continua no céu, ao lado de Deus, onde vai encontrar todos os amigos de que se despediu. Por isso quando morre alguém “deixa lá, foi para um sitio melhor!”. Se fica doente, Deus vai dar uma ajuda. Se errou, é porque Deus quis que assim fosse.

E Deus guarda nas suas costas largas a responsabilidade e a culpa de tudo o que nos assombra a mente.

Torna tudo mais fácil, dá mais espaço para descansar a cabeça.

“Entrega p’a Deus!”, como dizem os brasileiros.

O mal está quando não acreditamos. Quando colocamos em causa que uma entidade que nunca ninguém viu decida o destino de biliões de pessoas. O problema está quando morrem crianças pequenas com cancro ou nas margens de uma praia.

Como é que não se questiona?

Se Deus existe porque há sofrimento? Porque raio há pedófilos? E terroristas?

Ou será que faz como os pais que têm famílias numerosas e entrega tudo para a autogestão?

Mas quem tem fé acredita e consegue ir mais além. É verdade. Despreocupa-se com a morte porque mais não é que uma breve despedida. Relativiza o erro, “porque Deus sabe melhor!”

E eu invejo essa crença. Gostava de a encontrar. Sair-me-ia de cima a culpa e o medo. Porque Deus me ajudaria a encontrar o caminho que não me é fácil fazer por conta própria.