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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

A estatueta, o aeroporto e o melhor do mundo

Na passada quarta-feira à tarde quando tiraram o pano que tapava a tentativa de busto que pretendia homenagear o Cristiano Ronaldo toda a gente se esqueceu de repente das concordâncias e das discordâncias para o nome do aeroporto.

No Facebook começou uma espécie de corrente competitiva que dura até hoje para ver quem encontrava o elemento mais parecido com a estatueta. O joker, o Tino de rans, o Gugu, entre outros.

Eu compreendo, não era possível ignorar que aquela porcaria que ali está feita representa o nosso melhor no mundo em caso de AVC com paralisia facial grave, basta reparar na face totalmente descaída daquela bodega que devia representar o lado direito da cara de Ronaldo como quem está de costas para a estátua.

Tentei perceber qual era a intenção do senhor, cheguei a julgar que pretendia representar várias fases da via do jogador incluindo aquela em que ele ainda jogava no sporting, precisava desesperadamente de comer um bom bife e tinha os dentes todos desgraçados.

Depois pôs aparelho, cuidou-se, e hoje tá o bonitão que todos conhecemos.

Ao fim de um bocado de tempo cheguei apenas à conclusão que o tipo não sabia nada do que estava a fazer, era apenas um senhor com boas intenções e que ninguém se dignou em perceber se tinha algum jeito para a coisa. Lá para a Madeira devem ter pensado “deixa lá pá, com o Cristiano cá nem vão olhar para esse cocó em ferro que p’aí está!”

Errado, como bons tugas que somos não reparámos foi noutra coisa.

O que me leva à outra parte deste post.

Na quinta feira era o tema do dia. Uma boda para os humoristas, que também precisam de matéria para trabalhar coitados. Toda a gente tinha um post, um texto, uma crónica, uma sketch, o que for, toda a gente tinha alguma coisa a dizer sobre o busto que foi feito para homenagear o Cristiano. Fez-me lembrar o Ecce Homo aqui há uns anos, em que uma senhora velhota, beata, depois de ver a imagem do Santo toda apagada decidiu restaura-lo ficando a parecer um boneco pintado por uma pessoa com fortes problemas visuais, ou seja, tudo na casa das 5.5 dioptrias.

Ninguém se preocupava já com o nome do aeroporto, nem com o Cristiano nem com nada.

Ou seja, a piada fácil correu tudo o que tinha a correr e o resto passou ao lado.

Quanto a mim, que me estou borrifando para o nome que dão aos aeroportos porque para mim é apenas um aeroporto de determinada localidade, acho que, se é para homenagear, então que o façam para com alguém que tenha feito realmente alguma coisa que mereça orgulho e homenagem. E creio que o Cristiano fez, ao contrario do outro candidato. E já agora ainda bem que decidem fazê-lo enquanto o homem está vivo. Porque se há coisa que me enerva é esta mania dos portugueses de homenagear os mortos, esta coisa de que só se é mesmo bom, mas bom a valer, depois de falecer. E isso é estúpido, porque a pessoa bate os engaços sem saber que lhe davam algum valor.

Assim sempre se dá uma coisa boa a alguém que merece, que trabalha que se farta, que nos põe no mundo (acham que a Jennifer Lopez sabe onde é Portugal como? Não foi ver ao mapa, foi o Cristiano que lhe disse lá na festa de anos dela). Para além disso, assim, as mais depravadas sempre podem dizer “aí olha, vamos aterrar no Cristiano”.

 

Ainda quanto à estatueta ou busto ou lá o que é aquela bodega. Fica aqui um trabalho feito por mim no espaço de não mais de 5 minutos. Se consegui isto com este espaço de tempo, imaginem o que faço se me calham a dar 15 dias. Para já fica a inspiração para o caso de haver mais alguma coisa para inaugurar na Madeira e em que queiram homenagear lá o outro senhor da Madeira.

 

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