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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

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A beleza do anonimato

Há alguns meses descobri a Elena Ferrante. Sei que é um crime só agora em 2017 ter descoberto esta escritora. Melhor, já lhe tinha visto os livros em escaparate, já os tinha pegado e já tinha sentido a tentação de os comprar por diversas vezes. Mas acabei sempre por voltar a pousa-los.

Quando digo que a descobri, digo que a comecei a ler este ano e estou completamente embevecida, viciada, drogada, enamorada com a sua escrita. Aborrece-me que os livros tenham fim.

Elena Ferrante é um pseudónimo de alguém que se supõe conhecer mas que ninguém sabe ao certo quem é.

E foi com esta escritora em mente que criei este espaço.

A beleza do anonimato está em poder escrever sem reservas, em poder expor ideias, pensamentos, crenças ou opiniões sem ter de conviver com o julgamento permanente na nossa vida sempre igual. Quem nos vê, quem nos sabe pelo nome de registo sabe os papeis que lhes damos a conhecer, o de mãe, o de mulher, o de profissional, o de colega, o de filha, o de irmã. Ninguém nos conhece em pleno, ninguém nos conhece por dentro e por fora, ninguém nos conhece pela completa forma dos nossos pensamentos porque temos o poder de escolher o que queremos partilhar. Como o queremos partilhar. O que nos envergonha e o que faríamos de forma manifestamente diferente não fosse o julgamento dos que nos rodeiam como um ferro em brasa que nos marca para sempre na pele que mais expomos.

Há uma maravilha escondida em podermos ser uma qualquer outra pessoa que espelha o nosso lado mais cru.

As maravilhas de escrever sem nome. Os encantos de proferir aos sete ventos o que antes se emaranhava no peito como pêlo de gato que engasga.

Que inteligência a desta mulher, que segue os seus dias impávida e serena sem que lhe saibam as ideias, sem que se tolde a sua escrita porque a exposição do que somos ensombra o que escrevemos e pisa a liberdade do que temos para criar.

 

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