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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Alerta vermelho

Ao que parece há fortes probabilidades de haver um ataque terrorista em Lisboa hoje. Está visto que não posso ir à Primark nem à Casa das Bifanas. Estão sempre cheias. Numa no outro dia havia mais gente do que na Baixa, e só à volta dos cabides dos saldos. O tuga enlouquece com camisola as 2 €. No segundo é a fila, que a bifana é chicha de porco fina que fica a marinar e demora a passar p'a frigideira.

 

De qualquer modo quero acreditar que é só fogo de vista, porque isto nós já estamos habituados a terror mas é outro tipo de terror: é o terror do salário mínimo, é o terror dos empregos precários, é o terror dos Bancos que se finam e nós alombamos com as dividas, é o terror dos submarinos que se calham a ir ao fundo só metem água.

 

Eu espero que os terroristas tenham dó de nós que com tanto terror só nos faltava mais essa de se arrebentar um gajo na rua.

 

 

Está uma delicia, obrigada!

Disseste há um ano atrás que estavas a experimentar alimentação vegan. Entretanto malhas entrecosto fim de semana sim, fim de semana não. Parece que descobriste que as folhas e o bambu são boas é para os pandas. Depois aparece aquele amigo que te oferece um almocinho de sementes e bagas. "Bifes de Tofu", dizem eles. "Esparguete de courgette", acrescentam. Tu rezas para que o almoço acabe depressa, saboreias e elogias a paparoca, visualizas no tofu o bife de vaca com quatro pimentas.

Sais do almoço capaz de caçar um porco com uma lança e mete-lo num espeto. Era assar o bicho mesmo ali no Largo do Rato.

O almoço acaba com uns crepes feitos com farinha de aveia e pepitas de chocolate 100 % cacau.

Corres para comer uma bola de berlim: "extra creme e extra açúcar, se não se importa".

 

Desabafos

Tenho dias em que toma conta de mim uma vontade inexplicada de chorar. Como se as lágrimas estivesses presas atrás das orbitas, quais gotas de água retidas à porta da barragem que impede a água de seguir o seu curso.

Nestes dias o mundo parece conspirar contra mim: o que sou, o que penso, o que sinto. Os objetivos caem por terra, mesmo que o pensamento seja positivo. Por mais positivo que o pensamento seja. O vida tritura-me como se fosse um pedaço de carne a sair do matadouro; já feita em peças e a caminho do talho.

«Então e o pensamento positivo? Não devia chamar as coisas boas?» Devia, mas pelos vistos só chama se houver sorte, sem a sorte nada feito.

Essa desgraçada da sorte.

E eu cá ando, há espera que o mundo comece a rodar ao contrário. Na esperança que as pessoas acordem todas diferentes. Alentada pela experiência que os dias de vida me podem dar. Sentindo-me medíocre e pouco capaz. Acima de tudo uma triste ignorante que não entende que a ignorância é a maior das bênçãos.

 

Desejos

Sonho com dias calmos e serenos. Almejo por momentos em que a passagem dos ponteiros pareça demorada, os números não se atropelam com pressa de chegar a noite, caminham calmamente em direção ao segundo seguinte.

Sonho com manhãs pouco atribuladas. Com beijos ao pôr as mochilas às costas. Com a entrega dos filhos na escola com tempo para conversa.

Sonho com dias de trabalho mais curtos. Com tempo para existir em vez de sobreviver por entre a selva dos dias.

Anseio pela calma da minha mente.

Enfim, desejos.

 

Coisas que detesto fazer:

1. Conversa de circunstância.

2. Tomar conta de pessoas adultas.

3. Fazer conversa de circunstância com pessoas adultas de quem tenho de tomar conta.

 

Mas a vida é linda e as rosas são cor de rosa. O céu é azul. As nuvens brancas. O transito fodido. A conta bancária pobre. O chilrear dos pássaros é cativante e o pai natal devia ser apedrejado.