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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

As taxas mais baixas de desemprego dos últimos 10 anos

Nas noticias dizem que a taxa de desemprego nunca esteve tão baixa nos últimos dez anos. Pena que esta taxa seja alimentada de trabalhos temporários, trabalhos precários, rendimentos mais baixos, ordenados miseráveis e num regime de engorda dos “mesmos de sempre”. Num regime onde o trabalhador se sujeita “ao que há”.

Pena que se empreguem pessoas a ganhar menos do que ganhavam há 10 anos atrás, para os mesmos trabalhos, para as mesmas responsabilidade.

Mas é tão bom ter boas taxas de emprego; até faz parecer que vivemos num país justo e resolvido. Não fossem os fogos e isto era o paraíso.

No tempo dos meus avós, ambos analfabetos, também havia taxas baixas de desemprego. Havia sempre trabalho. Havia sempre uma enxada para cada um, fruta para apanhar. Havia muita fome também. Compraram casa depois dos quarenta. Mas lá está: trabalho tinham.

 

Obrigada

Uma pessoa é pobre e naturalmente encolhida ao fundo de uma sala. Uma pessoa nunca é tida nem achada para nada. Ou quase nunca, porque quando a merda se instala lá aparece o nome de uma pessoa à baila: normalmente para limpar.

Uma pessoa anota umas coisas saídas das entranhas. Uma pessoa tenta fazer umas crónicas polidas e umas historiazinhas encantadas para fugir à crueldade dos dias. Mas a pessoa cansa-se porque a vida não é assim: feita de sorrisos e algodão doce. O algodão doce da vida é como as feiras a que íamos em crianças, encantadas porque nada sabíamos da vida, aparecendo uma vez ou outra ao ano.

Anoto sentimentos muitas vezes viscerais, destravados; tantas vezes amarfanhados no âmago do meu ser, aquele que tem de agir com o politicamente correto. O que tem de dizer “bom dia e obrigada”, quando o que queria aventar era um “vai para o caralho que te foda!”

 

Hoje alguém disse que gosta do que escrevo. Porventura alguém que conhece a vida pela sua face menos dourada. Não sei. Agradeço apenas, ter disso achada para alguma coisa por bons motivos.

 

Cá coisas minhas, cá beijinho!

 

p.s.: os novos visitantes apanharam-me um pouco com as calças na mão, assim a modos que a sair da casa de banho...considerando o âmbito escatologico do ultimo post.

 

 

Hoje apetecia-me ir trabalhar

Acordei com uma vontade incontrolável de me fazer à estrada e apanhar transito na IC19, se não fosse pedir muito com, pelo menos, 3 acidentes (mas sem mortos ou aleijados, não quero infligir mal a ninguém por conta dos meus desejos). Encontrar os colegas e conviver. Trocar ideias e fazer relatórios. Sentir-me um peixe que olha para o ecrã e diz outra vez: "olha um ecrã, que ficheiro tão giro!" Rodo na cadeira e volto a dizer: "olha um ecrã, que ficheiro tão giro!"

 

Estou a brincar.

Detesto conviver. Só a palavra me causa um cocktail de náuseas e tonturas.

 

Hoje acordei com a sensação habitual de que a vida é fodida. A noção clara de que o Pai Natal há trinta e tal anos que não lê a minha carta de prendas de natal. Eu peço o Euromilhões e o cabrão manda peúgas com raquetes.

 

São os posters...são os posters...

...que me fazem pensar nestas questões.

Há 20 anos atrás não havia tanta mulher a chegar aos quarenta quase nua. Secas e torneadas. Fazem as trintonas como eu sentir que somos uma bosta. Incapazes de secar sequer uma área do corpo.

Antigamente não havia tanta mulher nua. Nem homens nus a vender manteiga. Se quisermos pensar nisso.

Passei por mais publicidade com uma quarentona meio despida e dei comigo a pensar: porque será que antigamente não havia tanta quarentona despida?

E porque será?

Será porque antigamente não era bem aceite?

Será porque as mulheres de antigamente eram mais pudicas?

Será porque não havia photoshop?

Não sei. E sem saber ficarei.

Pena que não tenha cantado para ti, mesmo que desafinada

O que faz com que alguém que nos inspira para a vida, perca ele mesmo, vontade da sua? O que fez uma voz que acompanhou tantos em momentos difíceis dizer que já chega? Que a vida não vale muito. O que já sabemos, mas evitamos ter consciência a todo o custo. Pena que não o tenhamos conseguido inspirar com nos inspirou a nós. Que não o soubéssemos triste com a vida, farto dos dias. Pena que nada pudéssemos fazer para que a vida lhe ganhasse sentido.

Sinto sempre pena quando a vida acaba cedo. Sinto tanta mais pena quando ela acaba porque a pessoa diz “chega disto”. Sinto tanta pena por apenas as gravações, agora, voltarem a trazer esta voz.

Chester, onde estejas, que tenhas encontrado a paz que tanto procuraste. As pessoas não sabem, mas nem sempre conseguimos convencer-nos a nós mesmos que a vida vale mesmo a pena. E há dias de inferno.

Pena que não pudesse ter cantado para ti, como cantaste para mim tantas vezes sem saber. Felizmente nunca me tiraste de uma escuridão tão funda quanto a que te assaltava. Mas alegraste-me os dias e deste voz a pensamentos. Pena que não tenha cantado para ti, mesmo que desafinada.

 

Inveja

É o que sinto de forma injustificada. É o sentimento que me prende as mãos e o pensamento. É ela que me impede de dizer que gostei, de sorrir genuinamente, de ficar contente pelo outro.

O ser racional que me imponho diz para bater palmas, para ficar feliz, que as oportunidades chegam para quem nada espera e eu, num sentimento com sabor a ranço, digo "fico feliz por ti". E fico. Mas ficava mais por mim. Calha a oportunidade vir em minha direção.

Esta coisa de não saber bem quem sou. Esta coisa de me parecer que os outros sabem sempre para onde caminham. Esta coisa de a ideia ser sempre poucochinha perto de quem olha. Esta coisa da inveja, que me tolda os sentimentos. Esta coisa de não saber esperar. Porventura porque de boa vontade a vida nunca me bateu à porta. Passa sempre na leveza de quem pensa "se não se queixa é porque a coisa deve estar boa".

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