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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Está uma delicia, obrigada!

Disseste há um ano atrás que estavas a experimentar alimentação vegan. Entretanto malhas entrecosto fim de semana sim, fim de semana não. Parece que descobriste que as folhas e o bambu são boas é para os pandas. Depois aparece aquele amigo que te oferece um almocinho de sementes e bagas. "Bifes de Tofu", dizem eles. "Esparguete de courgette", acrescentam. Tu rezas para que o almoço acabe depressa, saboreias e elogias a paparoca, visualizas no tofu o bife de vaca com quatro pimentas.

Sais do almoço capaz de caçar um porco com uma lança e mete-lo num espeto. Era assar o bicho mesmo ali no Largo do Rato.

O almoço acaba com uns crepes feitos com farinha de aveia e pepitas de chocolate 100 % cacau.

Corres para comer uma bola de berlim: "extra creme e extra açúcar, se não se importa".

 

Desabafos

Tenho dias em que toma conta de mim uma vontade inexplicada de chorar. Como se as lágrimas estivesses presas atrás das orbitas, quais gotas de água retidas à porta da barragem que impede a água de seguir o seu curso.

Nestes dias o mundo parece conspirar contra mim: o que sou, o que penso, o que sinto. Os objetivos caem por terra, mesmo que o pensamento seja positivo. Por mais positivo que o pensamento seja. O vida tritura-me como se fosse um pedaço de carne a sair do matadouro; já feita em peças e a caminho do talho.

«Então e o pensamento positivo? Não devia chamar as coisas boas?» Devia, mas pelos vistos só chama se houver sorte, sem a sorte nada feito.

Essa desgraçada da sorte.

E eu cá ando, há espera que o mundo comece a rodar ao contrário. Na esperança que as pessoas acordem todas diferentes. Alentada pela experiência que os dias de vida me podem dar. Sentindo-me medíocre e pouco capaz. Acima de tudo uma triste ignorante que não entende que a ignorância é a maior das bênçãos.

 

Desejos

Sonho com dias calmos e serenos. Almejo por momentos em que a passagem dos ponteiros pareça demorada, os números não se atropelam com pressa de chegar a noite, caminham calmamente em direção ao segundo seguinte.

Sonho com manhãs pouco atribuladas. Com beijos ao pôr as mochilas às costas. Com a entrega dos filhos na escola com tempo para conversa.

Sonho com dias de trabalho mais curtos. Com tempo para existir em vez de sobreviver por entre a selva dos dias.

Anseio pela calma da minha mente.

Enfim, desejos.

 

Coisas que detesto fazer:

1. Conversa de circunstância.

2. Tomar conta de pessoas adultas.

3. Fazer conversa de circunstância com pessoas adultas de quem tenho de tomar conta.

 

Mas a vida é linda e as rosas são cor de rosa. O céu é azul. As nuvens brancas. O transito fodido. A conta bancária pobre. O chilrear dos pássaros é cativante e o pai natal devia ser apedrejado.

 

As taxas mais baixas de desemprego dos últimos 10 anos

Nas noticias dizem que a taxa de desemprego nunca esteve tão baixa nos últimos dez anos. Pena que esta taxa seja alimentada de trabalhos temporários, trabalhos precários, rendimentos mais baixos, ordenados miseráveis e num regime de engorda dos “mesmos de sempre”. Num regime onde o trabalhador se sujeita “ao que há”.

Pena que se empreguem pessoas a ganhar menos do que ganhavam há 10 anos atrás, para os mesmos trabalhos, para as mesmas responsabilidade.

Mas é tão bom ter boas taxas de emprego; até faz parecer que vivemos num país justo e resolvido. Não fossem os fogos e isto era o paraíso.

No tempo dos meus avós, ambos analfabetos, também havia taxas baixas de desemprego. Havia sempre trabalho. Havia sempre uma enxada para cada um, fruta para apanhar. Havia muita fome também. Compraram casa depois dos quarenta. Mas lá está: trabalho tinham.

 

Obrigada

Uma pessoa é pobre e naturalmente encolhida ao fundo de uma sala. Uma pessoa nunca é tida nem achada para nada. Ou quase nunca, porque quando a merda se instala lá aparece o nome de uma pessoa à baila: normalmente para limpar.

Uma pessoa anota umas coisas saídas das entranhas. Uma pessoa tenta fazer umas crónicas polidas e umas historiazinhas encantadas para fugir à crueldade dos dias. Mas a pessoa cansa-se porque a vida não é assim: feita de sorrisos e algodão doce. O algodão doce da vida é como as feiras a que íamos em crianças, encantadas porque nada sabíamos da vida, aparecendo uma vez ou outra ao ano.

Anoto sentimentos muitas vezes viscerais, destravados; tantas vezes amarfanhados no âmago do meu ser, aquele que tem de agir com o politicamente correto. O que tem de dizer “bom dia e obrigada”, quando o que queria aventar era um “vai para o caralho que te foda!”

 

Hoje alguém disse que gosta do que escrevo. Porventura alguém que conhece a vida pela sua face menos dourada. Não sei. Agradeço apenas, ter disso achada para alguma coisa por bons motivos.

 

Cá coisas minhas, cá beijinho!

 

p.s.: os novos visitantes apanharam-me um pouco com as calças na mão, assim a modos que a sair da casa de banho...considerando o âmbito escatologico do ultimo post.