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Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Um quarto para as nove

Para entreter uns minutos do dia

Apetecimentos momentâneos

Às vezes só me apetecia que me dissessem assim:

- Olha vamos fazer contas, sim?!

E eu, em vez de triste e desesperada sorria e retribuiria um:

- Já não era sem tempo!

Podia ser que assim, despojada da hipótese permanente de uma realidade aborrecida, frustrante e tipicamente normal, me atrevesse a fazer algo que me desse mais prazer. Tudo para não me arrastar pelos dias como as lesmas na lama.

Podia dizer que são sentimentos que se apoderam de mim nestes dias que dariam azo a uma ponte mas são dias de laborar. Podia. Mas não seria verdade. Porque este sentimento habita em mim num estado permanentemente aborrecido.

Às vezes chamam-me e a minha esperança bate, à espera que se tenham cansado de mim. Afinal não. Diz que os mouros nunca cansam.

 

Fui para marcar uma consulta de Reiki...

...e a senhora vai de me dizer que a energia do cosmos lhe entra pela cabeça.

Eu faço cara de quem não sabe de que se trata essa tal energia do cosmos. A única que conheço é da EDP.

Lá a senhora - muito simpática por sinal - me diz que é a energia do Universo que lhe entra pela cabeça adentro. E eu, eu pergunto-se se ela usará tanta energia para ligar os eletrodomésticos de casa.

- Como é que isto funciona?

- A senhora deita-se aqui e eu vou limpar as energias negativas pelo poder da imposição das mãos.

Até aqui pareceu-me bem.

Mas depois já havia Tarot à mistura.

E até me mandavam o Reiki para casa se eu não me desse jeito ir à consulta.

Fiquei atarantada, como é que a mulher me mandava a energia sem saber bem onde estou? Como é que chegava a mim? Dar-lhe-ia as coordenadas GPS e a energia cósmica dava comigo.

Pareceu-me um bocado de invenção ao dinheiro. 

Mas vamos a ver e ainda é coisa de ultima linha.

A nova coleção do LIDL, by Heidi Klum...

...fica mesmo bem nela. Nas fotos.

Porque quando a gente pega naquilo para experimentar percebe logo que vai ficar com o mesmo ar pobre de sempre.

Com preço de cada peça nem sei o que se conseguia comprar na Primark com o mesmo dinheiro e pela mesma qualidade.

Mas a Heidi diz que é lindo assim. E então a malta compra.

Vai ser uma enxurrada de Heidis nesse Portugal afora.

Felicidade interdita

Descobri hoje que nos próximos 20 anos não terei direito a ser feliz. Ou isso ou tenho de descobrir uma formula que ninguém conhece.

Atão não é que a chave da felicidade está em dois "s"?!

Pois é: sexo e sono. 

A felicidade está assim apenas ao alcance de jovens sem filhos, de casais de meia idade que os mandaram para o colégio interno e de reformados, com ou sem placa, com fracas erecções, mas com muito tempo para esperar que o comprimido faça efeito.

Se tudo correr bem sem enfartes do miocárdio.

 

Dá-lhe Tina

A Tina e a Maya andam às bicadas por conta da senhora das cartas andar a dizer coisas de um homem que não existe. Não sei. Só espero que aTina ganhe o combate. Gosto dela. Gosto de gente que faz a vida a trabalhar e sem precisar de andar a falar mal dos outros para isso.

Vamos lá a ver uma coisa

Primeiro prometeu perder. Depois prometeu falhar. Agora garante que vai falhar todos os dias.

Aí filho! Já estavas a caminho da pensão Américo com a mala às costas.

Todos os dias? Nem sexo, que não há pachorra, quanto mais falhas!

 

A inveja

A inveja é uma merda filha da puta. Daqueles pecados que ninguém comete mas toda a gente sente. 

Noto quando se riem para mim, enquanto me dão uma palmada no ombro e proferem um: "fico contente por ti". Enquanto preferiam empurrar-me para a frente de um comboio.

A inveja não assiste a meninas lindas e bem comportadas. Não corrói meninos de bem. Mas ambos fingem não ver os louvores alheios, como se a amizade fosse boa se se alimentasse com pódios, onde o seu estaria sempre um degrau acima. Naturalmente.

A inveja é uma triste. Uma merda que tenho. E é tão bom perceber que os que dizem não a conhecer se roem também.

 

Não há pôr do sol que me valha

Quando estou em baixo gosto de vasculhar pelo facebook. Não ando à procura de gatinhos, porque me fazem lembrar que tenho de limpar a caixa imunda dos meus. Não quero ver cãezinhos, porque me lembrar que tenho de ir passear os meus e não me apetece nada, porque encontro sempre vizinhos chatos e fico ali a papar com aquilo dois quartos de hora. Não é por causa dos bebés, porque eu vejo fraldas com cocó e noites mal dormidas naqueles sorrisos sem dentes.

Gosto de procurar aquelas mensagens que devem dar alento, daquelas que dizem que a vida vai correr como uma brisa, basta aguardar pelo momento certo, mesmo que vás ser abalroado por um camião dentro de vinte minutos.

Em resumo, e verbalizando aquilo que ninguém diz: frases de merda. Frases que as pessoas papam e repassam entre elas como a batata quente da sapiência.

Leio-as e parto-me a rir. Tudo depende de como olhamos para as coisas.

Hoje não vi nenhuma boa que chegue. Deve querer dizer que o Q.I. médio do dia 05 de Setembro de 2017 é superior à média.

 

...juro que não entendo...

Hoje saí à rua e dei de caras com o vizinho. O moço passeava-se na rua sem qualquer pedaço de tecido a cobrir-lhe o tronco. Sorriu-me. Pareceu-me que lhe caiu em ideia que gostei do que vi.

A mim ocorreu-me que se parecia muito com as minhas folhas de rascunho do trabalho. Todo cheio de gatafunhos desconexos que nem eu entendo.

São gostos.